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Protestos na China e no Japão por causa de arquipélago

Chineses manifestam-se em três cidades, reclamando a posse das ilhas Diaoyu, no Mar da China, ocupadas pelo Japão. Em Tóquio, extrema-direita reage. Por Tomi Mori, de Tóquio para o Esquerda.net
Manifestação na cidade de Zhengzhou, sábado. Na faixa está escrito: "Abaixo o Japão, protejam as ilhas Diaoyu"

Milhares de chineses saíram às ruas para protestar contra a ocupação das ilhas Diaoyu, no Mar da China, pelo Japão. Por outro lado, os japoneses, que as chamam de Senkoku, dizem que as ilhas lhes pertencem e mantêm-nas sob a guarda da sua marinha.

No sábado, a extrema-direita japonesa convocou um protesto em frente à embaixada chinesa em Tóquio. Foi colocada uma carta na caixa de correio em cujo conteúdo se expressa que as ilhas Senkoku são do Japão. Um dos dirigentes do protesto reclamou da atitude chinesa, dizendo que durante um longo tempo o Japão ajudou financeiramente a China com o dinheiro dos contribuintes japoneses, e agora a China se voltava contra eles.

Os manifestantes chineses saíram as ruas em pelo menos três cidades, Chengdu, Xian e Zhengzhou. Bradavam slogans como: “Boicotem produtos japoneses!”,”Lute contra o Japão!”, “Defendamos as ilhas!” A juventude chinesa esteve à frente dos protestos e vários jovens disseram ter aderido após ter sabido dos protestos pela Internet.

Os manifestantes invadiram as lojas das grandes redes japonesas Ito-Yokado e Isetan, quebrando balcões e janelas.

O governo chinês pediu à população que não infrinja as leis.

No fundo, produto da ocupação chinesa na Segunda Guerra e das atrocidades cometidas pelo exército imperial japonês, há um profundo sentimento anti-nipónico entre a população chinesa. As redes Ito-Yokado e Isetan são grandes cadeias de lojas no Japão e, muito provavelmente, esses acontecimentos ajudam a estremecer a confiança das empresas japonesas em investir ou conotinuar na China. Em primeiro lugar, porque os seus investimentos podem, literalmente, evaporar em caso de convulsão social. Em segundo lugar, e todos sabem disso, um dos principais critérios para o investimento japonês é que os funcionários enviados desde o Japão possam trabalhar com segurança, sem que as suas vidas possam ser ameaçadas. No caso de algum japonês ser morto num incidente dessa natureza, traria um péssima imagem para a empresa. A burocracia chinesa aprendeu com o derrube de todos os estados burocráticos do leste europeu e sabe que manifestações anti-nipónicas no primeiro momento se voltam contra o Japão, mas no momento seguinte irão voltar-se contra o próprio governo.

Japão baixa a cabeça para a China

Se alguém tinha alguma dúvida, o recente estremecimento das relações sino-japonesas, após a prisão do capitão de um barco chinês que colidiu com um barco da frota japonesa semanas atrás, demonstrou que a China deixou de ser um estado submisso e agora fala de igual para igual com as outras potências globais. O Japão libertou com rapidez o capitão chinês, após a China manter uma atitude dura.

O outro exemplo da fragilidade e da covardia japonesas foi demonstrado pelo primeiro-ministro Naoto Kan ao se manifestar sobre o recente Prémio Nobel da Paz, recebido pelo dissidente Liu Xiaobo. Kan disse ser “desejável” que Liu seja libertado. Uma lacónica palavra, num momento em que o mundo inteiro esperava uma posição mais firme da liderança japonesa.

O que ocorre é que a China se tornou numa intrincada teia de aranha onde as várias potências globais foram apanhadas. O Japão criou uma forte relação de dependência económica e já não está em condições de ficar esbravejando contra a burocracia governante chinesa. Um maior estremecimento das relações sino-japonesas está longe de interessar ao imperialismo japonês. Kan já tem problemas de sobra a nível nacional, que está muito longe de resolver; um conflito com a China só lhe traz desgaste interno. Para Kan, é mais cómodo baixar a cabeça…

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