Produtores apresentam manifesto contra transporte marítimo de animais vivos

16 de janeiro 2019 - 10:58

Um grupo de produtores e agricultores promoveu um manifesto contra o transporte de animais vivos por via marítima. Na próxima quinta-feira o Parlamento discute uma proposta do Bloco que procura promover o bem-estar animal.

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Foto de Karen/Flickr

Os agricultores começam o seu manifesto por sublinhar a ligação que estabelecem com os animais e a natureza. Dizem que “o abate dos animais é uma necessidade que exige do produtor/agricultor uma estrutura mental forte” mas “contudo, nada justifica a inflicção de qualquer sofrimento desnecessário a um animal”.

Juntam depois a sua voz à plataforma que se constituiu para lutar contrar a exportação de animais vivos por via marítima (PATAV, Plataforma Anti Transporte de Animais Vivos) para sublinhar as condições em que os animais são transportados “em compartimentos exíguos, sem vigilância médico-veterinária, potenciadora de doenças, ferimentos e até morte, viagens incompatíveis com o respeito dos parâmetros mínimos de bem-estar animal”. E, uma vez que justificação do transporte têm sido “os ritos culturais e religiosos do consumidor de destino”, sublinham que existem “locais de abate em território nacional que seguem os mesmos preceitos.”

Os produtores denunciam a existência de um “mundo rural a braços com graves problemas económicos” e pensam, por isso, que “precisamos de um modelo económico (…) baseado na sustentabilidade ambiental e na devida valorização do conhecimento ancestral das comunidades, primordiais na gestão do território.”

A petição da PATAV será discutida na próxima quinta-feira. O projeto de lei do Bloco também. O partido está preocupado com o bem-estar animal e considera que o transporte de animais em longo curso “deverá limitar-se tanto quanto possível”. Procuram-se assim “protocolos que garantam mais exigência e os cuidados necessários”.

O Bloco denuncia tratamentos violentos no momento do carregamento como usos de bastão elétrico e pontapés.