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Preços do gás natural nos EUA disparam

O aumento dos preços favorece as empresas produtoras de gás de xisto, que registaram fluxos de caixa elevados no primeiro trimestre de 2022 e preveem um ano de ganhos significativos à boleia do aumento exorbitante dos preços.
“O aumento dos preços favorece as empresas produtoras de gás de xisto” – Torre para perfuração horizontal, Pensilvânia, EUA – Foto de Ruhrfisch/wikimedia
“O aumento dos preços favorece as empresas produtoras de gás de xisto” – Torre para perfuração horizontal, Pensilvânia, EUA – Foto de Ruhrfisch/wikimedia

Os preços do gás natural na economia norte-americana estão a aumentar significativamente e já atingiram os valores mais altos da última década. De acordo com o Financial Times, o preço de referência do gás natural (medido pelo índice Henry Hub) encontra-se em $8,415 por milhão de unidades térmicas britânicas (utb), mais do dobro do registado no início do ano e bem acima dos $3 registados em média nos últimos dez anos.

Este aumento dos preços surge num contexto em que os países da Europa e da Ásia estão dispostos a pagar mais pelo gás norte-americano, à medida que avançam as medidas de redução da dependência de combustíveis fósseis russos através de embargos parciais ou totais.

Às consequências da invasão russa da Ucrânia, junta-se uma Primavera mais quente do que o normal nos EUA, que fez aumentar a utilização de sistemas de ar condicionado nos edifícios e, com isso, gerou um aumento da procura de gás natural por parte das centrais de produção de eletricidade (que utilizam o combustível), como explica a Reuters.

Em todo o caso, o preço do gás natural nos EUA continua abaixo do que tem sido praticado na Europa ($37 por milhão de utb) ou na Ásia ($23,5 por milhão de utb), o que explica o dinamismo das exportações norte-americanas. As empresas dos EUA responsáveis pela liquefação do gás natural para ser exportado têm aumentado substancialmente a procura pelo bem.

O aumento dos preços favorece as empresas produtoras de gás de xisto, como a Chesapeake Energy ou a EQT, que registaram fluxos de caixa elevados no primeiro trimestre de 2022 e preveem um ano de ganhos significativos à boleia do aumento exorbitante dos preços. “Não quero chamar-lhe uma bolha, mas temos bastante exuberância [nos mercados] e boa parte desta é irracional”, diz Stephen Schork, perito em mercados de energia, ao S&P Global Commodity Insights.

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