OCDE põe números à austeridade perpétua

06 de maio 2014 - 18:05

Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico afirma que Portugal tem de fazer cortes anuais de 1,9% até 2030 e contradiz o governo, prevendo que a dívida pública portuguesa vai continuar a subir em 2015, chegando a 131,8%.

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OCDE prevê que a dívida pública de Portugal vai continuar a subir pelo menos até 2015, atingindo os 131,8% nesse ano. Foto de Paulete Matos
OCDE prevê que a dívida pública de Portugal vai continuar a subir pelo menos até 2015, atingindo os 131,8% nesse ano. Foto de Paulete Matos

Segundo o documento Economic Outlook, divulgado esta terça-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) afirma que Portugal tem de adotar cortes anuais de 1,9% até 2030 para levar a dívida aos 60% do Produto Interno Bruto – uma exigência do Traytado Orçamental –, concretizando desta forma a fórmula da austeridade perpétua.

Por outro lado, as previsões contrariam as do governo, que apontam para que a dívida pública portuguesa comece a diminuir em 2015. O Documento de Estratégia Orçamental (DEO) do governo PSD/CDS, divulgado na semana passada, prevê que, depois de chegar aos 129% do PIB em 2013, a dívida pública atinja os 130,2% em 2014, mas comece a cair, para os 128,7% do PIB no próximo ano. Já a OCDE prevê que a dívida pública de Portugal vai continuar a subir pelo menos até 2015, atingindo os 131,8% nesse ano.

A OCDE alerta ainda que "existe um risco de deflação" em Portugal, cuja concretização "iria tornar a redução da dívida mais difícil".

BCE deve cortar taxa de juro para zero

A OCDE afirma também que o BCE deve "cortar a principal taxa de juro para zero" e mantê-la nesse nível "por um longo período", defendendo a necessidade de medidas não convencionais se a inflação não recuperar ou se houver deflação.

O Banco Central Europeu cortou a taxa de juro das principais operações de refinanciamento em novembro, para um mínimo histórico de 0,25%, e manteve-a inalterada desde então.