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“O programa da extrema-direita é claro: uma sociedade branca, patriarcal e heterossexual"

Denunciando o “regresso dos totalitarismos”, Marisa Matias afirmou na sessão internacionalista: “a esquerda que integramos é a que vive bem com a diversidade e que sabe que a unidade na ação e na diversidade é o caminho para uma verdadeira transformação social”.
“A esquerda que integramos é a que vive bem com a diversidade" realçou Marisa Matias - Foto de Paulete Matos
“A esquerda que integramos é a que vive bem com a diversidade" realçou Marisa Matias - Foto de Paulete Matos

Na sessão internacionalista da XI Convenção do Bloco de Esquerda atuaram os Anomia Nuvolari e intervieram Fernando Rosas, Luís Fazenda, a eurodeputada Eleonora Forenza, o deputado italiano Erasmo Palazzotto e Marisa Matias.

Fernando Rosas salientou que "a extrema-direita populista cavalga demagogicamente o descontentamento dos setores da sociedade mais atingidos pelas políticas predadoras da política liberal".

Luís Fazenda afirmou que “o que não é incidental é que a extrema-direita, abusando de uma legitimidade eleitoral, atrai e serve a burguesia que ainda ontem era cosmopolita” e sublinhou: “Salvini monopoliza o ódio aos imigrantes. É dessa cultura que se tem feito o cadafalso do Mediterrâneo”. “A extrema-direita bombardeia a consciência social com uma ideologia de exclusões: excluir o outro, o refugiado, o forasteiro”, destacou ainda.

Eleonora Forenza, eurodeputada da Refundação Comunista em Itália, salientou que “é bom lembrar que a onda de extrema-direita foi criada pela austeridade”.

Erasmo Palazzotto, deputado da Sinistra Italiana, afirmou: “temos um combate muito difícil, temos de ter a coragem de imaginar e perspetivar o modelo social para o futuro”. “Temos de nos questionar se quisermos ter as ferramentas para combater esta direita.”

Não somos cúmplices da entrega do espaço político ao racismo e à xenofobia”

Marisa Matias denunciou que o “regresso dos totalitarismos” chegou “com a ajuda das forças políticas maioritárias - da direita à social democracia - que acreditaram que seria preferível incorporar a agenda racista e xenófoba da extrema-direita na política normal para evitar o mal maior”.

“As esquerdas que lutam pelos direitos de quem trabalha, as esquerdas socialistas, ecologistas, feministas, LGBTI, têm de estar preparadas e têm também de fazer autocrítica”, salientou a eurodeputada, sublinhando a necessidade de “reganhar a confiança das pessoas” e de “solidariedade com toda a gente, com quem cá está e com quem chega”.

Lembrando que atualmente “há já registos de violência neofascista em países como Polónia, Reino Unido, Grécia, Alemanha, Itália, França ou Estado Espanhol”, a eurodeputada bloquista destacou que “a violência neofascista afeta a sociedade como um todo, mas é inegável que grupos específicos, como negros, judeus, muçulmanos, ciganos, nacionais de países terceiros, pessoas LGBTI e pessoas com deficiência são as mais martirizadas”.

“Alertar para os perigos do crescimento dos fascismos não é um exagero, é uma obrigação. É a obrigação histórica de quem não quer cometer os erros do passado”, apontou ainda Marisa Matias.

 

Termos relacionados Política, XI Convenção
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