Nigéria

O mito do genocídio cristão

04 de novembro 2025 - 11:32

Grupos de extrema-direita e pró-Israel têm estado a reenquadrar a insegurança na Nigéria como um extermínio sectário para desviar a atenção da Palestina. Agora é Trump quem ameaça o país por causa disso.

por

Ayoola Babalola

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Cristãos numa cerimónia comemorativa da sexta-feira santa em Lagos, Nigéria.
Cristãos numa cerimónia comemorativa da sexta-feira santa em Lagos, Nigéria. Foto de EMMANUEL ADEGBOYE/EPA.

Na 80ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Vice-Presidente Kashim Shettima reafirmou a solidariedade da Nigéria para com o povo palestiniano, que nos últimos 23 meses sofreu uma campanha genocida de bombardeamentos contínuos e invasões terrestres das forças do Estado de Israel. Durante a mesma viagem, a delegação nigeriana votou a favor da Declaração de Nova Iorque, que defendia medidas concretas para a implementação da solução de dois Estados como uma solução pacífica para a questão palestiniana.

A posição da Nigéria sobre a campanha de terror perpetrada por Israel e pelos seus aliados ocidentais contra o povo palestiniano, que dura há décadas, tem sido consistente desde o reconhecimento do Estado palestiniano em 1988. Em 2009, a Nigéria desempenhou um papel fundamental na criação da missão de apuramento dos factos do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas sobre Gaza, conhecida como Comissão Goldstone. O conselho era dirigido pelo Dr. Martin Uhioibhi, que na altura era o representante permanente da Nigéria junto das Nações Unidas em Genebra. Em 2012, a Nigéria votou a favor da concessão do estatuto de Estado observador não membro à Palestina pela Assembleia Geral (A/RES/67/19 - Resolução adotada 138-9-41). Em 2017, na sessão de emergência sobre o “Estado de Jerusalém” (A/RES/ES-10/19, 21 de dezembro de 2017), a Nigéria votou a favor da resolução da Assembleia Geral que declarava “nulo e sem efeito” o reconhecimento unilateral de Jerusalém como capital de Israel pelos EUA e por Donald Trump.

Como habitualmente, as reações locais divergiram em relação ao discurso de Shettima na Assembleia Geral. Nigerianos conscientes acolheram calorosamente a postura diplomática do país no panorama internacional, apesar dos desafios internos. Afinal, o Sr. Shettima não poupou nas palavras ao admitir que a Nigéria trava “uma longa e difícil luta contra o extremismo violento” e uma cultura de insurgência. Os seus críticos também expressaram as suas opiniões, salientando que o comentário de Shettima no palco internacional não reflete adequadamente a realidade do seu governo, sob o qual os cidadãos sofrem uma campanha implacável de terror que deixa grupos vulneráveis, incluindo minorias étnicas e comunidades cristãs, particularmente expostos, enquanto a população em geral vive sob uma atmosfera de insegurança.

Mas, logo a seguir às reações locais, surgiu uma onda cuidadosamente orquestrada de falsa indignação internacional, baseada em alegações de um assassinato sistemático de cristãos, equivalente a um genocídio na Nigéria. Vários líderes de opinião de extrema-direita nas redes sociais, incluindo o cristo-sionista Eyal Yakoby, passaram a defender a alegação de um genocídio cristão na Nigéria, propagando esta narrativa com o mesmo fervor com que grupos de extrema-direita têm utilizado repetidamente a narrativa igualmente fabricada de um “genocídio branco” na África do Sul. Outras vozes, incluindo a do senador sionista norte-americano Ted Cruz, também patrocinaram esta narrativa. Foi retuitada por milhares de utilizadores do Google, por mais de 100 mil bots e alcançou posições elevadas no ranking de visualizações do algoritmo do X. De forma semelhante, o apresentador de talk shows Bill Maher emprestou a sua voz aos objetivos de propaganda de Israel, reiterando alegações sensacionalistas – já desmentidas por importantes jornais – de violações, decapitações e bebés queimados vivos a 7 de Outubro. Maher insiste que “viu os vídeos”, mas, tal como todos os outros que promovem esta narrativa, não apresentou qualquer prova – porque é mentira.

Para além da recente afeição pelos cristãos que sofrem na Nigéria, uma curiosa característica comum entre estes comentadores é a sua lealdade inabalável a Israel. O cinismo destes atores é evidente. O objetivo é, claramente, cooptar e deturpar as conversas e os incidentes que ocorrem noutros países, utilizando-os como meras ferramentas para promover os seus próprios objetivos estratégicos de informação e propaganda.

Isto não significa negar a violência dilacerante que continua a moldar o quotidiano em algumas zonas da Nigéria. As agências noticiosas continuam a noticiar ataques devastadores contra diversas comunidades, cristãs e muçulmanas, com pouca ou nenhuma atenção por parte das autoridades estatais e não estatais, dentro e fora da Nigéria. Até mesmo líderes religiosos cristãos, como o Pastor Enoch Adeboye, da Igreja Cristã Redimida de Deus (RCCG), e os seus pares, têm sido criticados pela negligência persistente em relação ao sofrimento dos cristãos que enfrentam assassinatos e deslocações nas suas comunidades, enquanto se relacionam com políticos cuja incompetência abissal e negligência de dever são diretamente responsáveis pelos infortúnios enfrentados pelos fiéis. Esta “denúncia” reflete, em certa medida, a falta de controlo do Estado sobre as suas responsabilidades cruciais para com os cidadãos nigerianos, deixando-os dependentes de estruturas de poder religiosas ou comunitárias, ou de homens fortes, para representar os seus interesses e garantir a dignidade básica da vida e a segurança. Este tema surge ocasionalmente nas nossas conversas sociais e não deve ser confundido com o crescente número de movimentos cristãos que resistem a um suposto “genocídio” sistemático dos seus seguidores.

Diversos grupos insurgentes na Nigéria escondem-se sob o manto do Islão para perpetuar as suas ideologias extremistas e violentas e, devido a esta fachada religiosa, os indivíduos e as instituições locais têm interpretado as suas ações na perspetiva da religião, atribuindo muitas vezes a violência escolhida a um caráter divisivo inerente aos muçulmanos. Sem dúvida, existe uma conotação religiosa nas atividades destes grupos insurgentes, mas as suas motivações são frequentemente políticas ou criminosas. As suas ações nefastas visam geralmente afetar ou subverter a ordem política e económica dos seus países vítimas, ou lucrar com raptos, tráfico de armas e extorsão.

A tentativa de utilizar a religião como principal fator determinante das crises de segurança na Nigéria falha, dado que os muçulmanos na Nigéria não são meros espetadores da crescente insegurança do país, mas antes vítimas frequentes e muitas vezes brutais da mesma violência e do ciclo sombrio de derramamento de sangue que, noutros lugares, é retratado como dirigido apenas às comunidades cristãs. E, de facto, muitos nigerianos compreendem que os perpetradores e as vítimas das crises de segurança na Nigéria estão presentes em todos os grupos étnicos e religiões. Por exemplo, no dia 11 de agosto de 2025, a Paróquia de São Paulo, em Aye-Twar, no Condado de Katsina-Ala (Eixo Sankera, Estado de Benue), foi atacada por milícias Fulani. O edifício da igreja foi incendiado, juntamente com praticamente todos os outros locais de culto da região. Casas e anexos também foram incendiados, deixando dezenas de mortos e muitos feridos graves. Num incidente separado, a 19 de agosto de 2025, homens armados atacaram uma mesquita na aldeia de Unguwan Mantau, município de Malumfashi, estado de Katsina, durante as orações do fajr (alvorada). De acordo com fontes governamentais, pelo menos 17 fiéis foram mortos, mas fontes locais elevam o número para cerca de 27, e alguns relatos indicam que o número de mortos pode chegar aos 50. Foram incendiadas casas e muitas pessoas foram desalojadas ou raptadas.

Na diocese de Makurdi, no estado de Benue, no início de junho, mais de 50 pessoas foram mortas e 15 paróquias católicas foram obrigadas a encerrar em apenas um mês devido aos ataques de pastores armados. Em julho, militantes alegadamente membros do grupo Lakurawa (afiliado no Estado Islâmico da Província do Sahel) atacaram a aldeia de Kwallajiya, no município de Tangaza, estado de Sokoto. Muitos moradores estavam em horário de oração ou perto dele, ou a trabalhar nas suas plantações. Mais de duas dezenas de fiéis muçulmanos foram assassinados e muitos ficaram feridos. Mesquitas, casas e terras agrícolas foram incendiadas e destruídas.

Fundamentalmente, os cristãos, por vezes, tornam-se o alvo escolhido em ataques específicos. Igrejas foram atacadas durante os serviços religiosos, padres foram raptados e aldeias cristãs inteiras foram arrasadas em Plateau, Benue e no sul de Kaduna. Estes episódios não estão isolados da crise geral, mas são momentos em que a identidade cristã é instrumentalizada para marcar uma comunidade como alvo de terror. Neste sentido, os cristãos carregam tanto o peso geral da insegurança partilhada por todos os nigerianos como o trauma mais agudo de serem alvos de ataques motivados pela fé. Reconhecer esta realidade não apaga o sofrimento dos muçulmanos nem alimenta a falsa narrativa de “genocídio” propagada internacionalmente; pelo contrário, fundamenta a discussão na complexidade de como a violência se desenrola no cenário fragmentado da Nigéria.

Devido à insurgência, as economias baseadas na agricultura dos estados do norte de maioria muçulmana, anteriormente em crescimento, entraram em colapso, os avanços alcançados na educação e na erradicação da pobreza foram revertidos nesses estados, e o custo humano da crise, em virtude da densidade populacional, coloca automaticamente os muçulmanos na linha de frente mais afetada. Além disso, considere-se o contexto dos assassinatos a sangue frio e dos atentados dirigidos a dezenas de notáveis clérigos muçulmanos no norte, que se opuseram à militância, à negligência estatal e às deploráveis condições políticas e económicas que permitiram a proliferação da insurgência. Alguns deles foram mortos juntamente com as suas famílias.

Este é um tema comum em áreas devastadas por grupos armados, onde as primeiras vítimas são aqueles que partilham a mesma religião ou etnia que os militantes. São mortos porque os seus supostos correligionários, que abraçam a violência, os consideram infiéis ou não suficientemente nobres para se comprometerem com os mesmos ideais e métodos em que acreditam. Pensem nos atentados bombistas contra diversos locais de património judaico no Médio Oriente que antecederam a fundação do Estado de Israel. Os registos mostram que foram realizados por gangues terroristas judaicos que procuravam incutir medo nas comunidades judaicas da região e semear a discórdia entre estas e os seus vizinhos, com o objetivo de as obrigar a abandonar as suas raízes em vários países do Médio Oriente e a mudar-se para Israel, em prol dos seus objetivos económicos e geopolíticos. Vários destes grupos armados, com um historial sórdido de crimes, formaram o que é hoje conhecido como as Forças de Defesa de Israel (IDF).

A notícia mais importante da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas foi, talvez, o reconhecimento do Estado palestiniano por parte do Reino Unido, França, Austrália, Canadá e Portugal. Trata-se de uma rutura significativa por parte dos aliados dos Estados Unidos e de Israel, a maioria dos quais permanece cúmplice do genocídio em curso, mas que já não toleram o solipsismo assassino, a criminalidade e a desumanidade de Israel; a depravação dos seus dirigentes e o sadismo e a profunda maldade das suas forças no contínuo extermínio dos palestinianos pela fome. Após este passo histórico, a Bélgica, o Luxemburgo, Malta, Andorra e São Marino deverão também anunciar o seu reconhecimento e apoio à criação de um Estado palestiniano. Além disso, a França realizou um evento paralelo com a Arábia Saudita durante a sessão, denominado Cimeira de Dois Estados, com o objetivo de promover ações coletivas para alcançar a cessação das hostilidades e concretizar um caminho para a criação de um Estado palestiniano. Esta conquista histórica foi conseguida apesar da imensa pressão de Israel e dos Estados Unidos. É neste contexto de derrota internacional sofrida por Israel que os seus canais de redes sociais estão freneticamente a dirigir o foco para um genocídio imaginário, que por sua vez surge após várias tentativas falhadas de Israel de cooptar o apoio diplomático e da opinião pública da Nigéria e dos nigerianos.

Grupos de lóbi israelitas atuam na Nigéria, alguns sob o pretexto da solidez das relações diplomáticas entre a Nigéria e os EUA. Entre estes grupos, está um liderado pelo cidadão norte-americano Jack Barcroft, que recebeu 20 mil dólares para pressionar os congressistas norte-americanos a incluírem a Nigéria nos Acordos de Abraão entre Israel e os EUA. Isto representaria uma mudança no estatuto da Nigéria, de ator internacional independente e membro notável do bloco dos Não Alinhados para um país vassalo dos EUA e de Israel, que segue os ditames do império sem ter em conta a opinião pública interna, as obrigações internacionais ou a própria consciência. Isto também minaria diretamente os compromissos da política externa nigeriana, que incluem a concretização do Estado palestiniano. Além disso, outros desenvolvimentos recentes, incluindo um encontro entre o ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros nigeriano e o vice-ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, no qual foram feitas promessas de promover a cooperação no combate ao terrorismo, à inovação e à tecnologia – precisamente os sectores que os contratistas israelitas utilizam para consolidar o seu controlo – podem sugerir que está em curso uma tentativa de transformar a Nigéria de um ator independente num satélite de 200 milhões de pessoas, em nome das quais o governo apoia ativamente o genocídio, explorando a insegurança que as políticas ocidentais e israelitas ajudaram a criar.

Os comentadores pró-Israel que subitamente se interessam por um genocídio cristão na Nigéria, apesar de tentarem inflamar o discurso e incitar o público incauto, acabam por dar um tiro no pé ao terminarem frequentemente os seus comentários com a pergunta: “Porque é que as pessoas não estão a falar sobre isto?”. Isto apenas reforçou a ideia de que o contexto da discussão em curso era a indignação global contra Israel. Segundo um estudo de Harvard, no seu ataque a Gaza, Israel provocou o desaparecimento de quase 400 mil pessoas, mais de metade crianças. Um relatório da revista Lancet, publicado em janeiro, estima o número de vítimas diretas dos bombardeamentos israelitas em mais de 80 mil, a maioria crianças. Relatórios e testemunhos têm documentado consistentemente graves violações do direito internacional por parte das forças israelitas, que vão desde o ataque deliberado a crianças, bombardeamentos indiscriminados contra famílias e pilhagens de propriedades palestinianas, até atos de troça e desumanização contra a população. Estes padrões, mantidos ao longo de décadas, foram protegidos por um sofisticado aparelho de propaganda concebido para enganar o mundo, cultivar a simpatia e sustentar a imagem de Israel como um país minimamente decente. Essa fachada, contudo, está a ruir rapidamente. O resultado é que a atenção global está cada vez mais focada nas atrocidades de Israel, e um consenso internacional crescente começa a formar-se. O mundo teme ter de conviver com um Estado que se baseia unicamente no poder arbitrário e na violência, e na destruição de normas, ética e regras sem qualquer suporte legal, e por isso os países estão a recuar no seu apoio incondicional a Israel.

É por isso que, para as audiências que consegue controlar, Israel está a consolidar e a reconstruir o seu aparelho de propaganda, como se vê no novo regime de censura nos Estados Unidos e na tomada forçada do TikTok pelo especialista sionista em tecnologia de vigilância, Larry Ellison. Para nós, do outro lado do mundo, Israel e os EUA precisam de recorrer à sua estratégia global de forjar e manter parcerias seletivas através das divisões internas da Nigéria: em linhas regionais, religiosas e étnicas, com implicações de longo alcance na unidade, independência e soberania do país. Procuram explorar as divisões para obter influência e, por isso, infiltram-se nas linhas de fratura internas, onde estão posicionados para agravar as tensões como distração para os seus crimes internacionais.

O objetivo é ingénuo, mas simples: se a versão oficial for a de que “os muçulmanos são inerentemente violentos e os cristãos estão em perigo em todo o lado”, a guerra de Israel contra Gaza ficaria justificada. Se forem incitados sentimentos suficientemente fortes contra os muçulmanos na Nigéria, isso criará o pretexto para coordenar o ódio contra a população palestiniana e os seus grupos de resistência armada, que Israel e os Estados Unidos acreditam que o resto do mundo considera “terroristas islâmicos”. Trata-se de uma distorção obscena da realidade, uma estratégia consagrada que os comentadores na Nigéria precisam de compreender para não caírem nas suas armadilhas. As milhares de vidas perdidas nas crises nas nossas comunidades aqui e a dor das famílias e comunidades enlutadas não valem mais do que propaganda para Israel e para os Estados Unidos. Um tema de fachada, uma distração, um redirecionamento da culpa nos crimes, um obscurecer e um desvio estratégico. Algo para deturpar e dar que falar ao mundo, em vez de permitir que Israel seja responsabilizado pelos seus crimes.

Concordo que, ao falarmos do genocídio palestiniano, devemos também falar dos assassinatos na Nigéria e em todo o Sahel, do genocídio no Sudão, dos massacres no Congo e em partes de Moçambique. O fio condutor que une estes palcos de violência é que os seus destinos estão enredados na teia dos interesses imperialistas globais. Os agentes da destruição nestas regiões são ou diretamente armados e sustentados pelas potências ocidentais e seus aliados, ou emergem como os previsíveis desenvolvimentos de uma desestabilização calculada de Estados cujos dirigentes ousaram transgredir as linhas traçadas para proteger os interesses imperialistas. Os líderes indiferentes e incompetentes são apoiados nestas regiões como “parceiros”, pois nunca serão capazes de lidar com as condições estruturais e sócio-económicas que criaram o cenário para a crise. Os próprios instrumentos de repressão, vigilância e violência organizada empregues contra o povo de Gaza são reaproveitados e entregues a estes regimes clientes para abafar a dissidência e esmagar os movimentos políticos de oposição. E sob o pretexto da “cooperação em segurança”, ocorre uma transferência generalizada de táticas cinéticas, no fundo extensões da doutrina militar e policial israelita e americana, que são instrumentalizadas para perpetuar o controlo, o apartheid e a violência, em vez de salvaguardar vidas.

Na verdade, falar de violência numa parte do mundo sem mencionar as outras é ignorar os elos estruturais que as unem: o cálculo imperial que considera a fome e a morte de milhares de crianças em Gaza uma tática de guerra, que arma regimes fantoches no Médio Oriente e tiranos em África. Os povos do mundo falam de Gaza, do Sudão, do Sahel, de todos os lugares do mundo onde persiste o sofrimento humano e a violência. Uma busca genuína pela justiça deve confrontar tanto os perpetradores locais como os sistemas transnacionais de poder que os sustentam. O que não podemos permitir é que os perpetradores globais de crimes e terror digam ao mundo onde deve concentrar a sua atenção.


Nota da redação: este artigo foi escrito pouco antes das declarações do presidente norte-americano Donald Trump, a 01-11-2025, nas quais ameaça “até invadir” o país caso o governo “continue a permitir o assassínio de cristãos”.


Ayoola Babalola é escritor e jornalista, com foco na exposição da corrupção política, violações dos direitos humanos e amplificação de movimentos sociais.

Texto publicado originalmente no Africa is a Country.

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