Noite marcada pela violência no Egipto

03 de fevereiro 2011 - 14:55

Durante a noite, apoiantes do presidente Hosni Mubarak atacaram manifestantes pró-democracia. Exército interveio formando uma corrente de segurança para proteger manifestantes. Jornalistas denunciam violência por parte de apoiantes de Mubarak.

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Médicos locais reportavam, até às 14 horas de quinta-feira, 1500 feridos e sete mortos. Foto Al Jazeera.

Os egípcios viveram mais uma noite de violência. Os manifestantes pró-democracia conseguiram manter a sua presença na praça Tahrir, o principal ponto de encontro durante os protestos, mas cerca de 1.000 militantes pró-Mubarak, muitos dos quais portadores de documentos de identificação policial, continuaram sobre o viaduto a atacar os manifestantes.

Segundo os correspondentes da Al Jazeera, os manifestantes pró-democracia parecem ser uma “colecção de indivíduos” sem líder ou qualquer direcção clara, enquanto os militantes pró-regime têm uma orientação clara durante os confrontos.

Testemunhas afirmaram que foram disparados tiros de uma ponte para a Tahrir, o epicentro dos protestos contra Mubarak nos últimos 10 dias. Um correspondente da Al Jazeera afirmou que não estava claro quem era responsável pelos disparos.

Um dos manifestantes pró-democracia acantonado na Praça Tahrir lança um alerta: "Mubarak decidiu matar o povo egípcio. Ele trata-nos como insectos, tentando esmagar-nos".

Repórteres, fotógrafos e operadores de câmara têm denunciado a violência de que são alvo por parte dos manifestantes pró-Hosni Mubarak. Um jornalista da AFP teve que pedir protecção a dois soldados para poder deixar a praça Tahrir. Jornalistas da BBC, Al Jazeera, CNN, Al-Arabiya e ABC News, entre outros, têm sido atacados pelos apoiantes de Mubarak. Vários jornalistas da RSF "foram directamente interpelados pelos apoiantes do chefe de Estado e polícias infiltrados" e "foram agredidos e o seu material foi roubado", segundo divulgou o seu representante.

Na manhã de quinta-feira, o exército egípcio interveio, formando uma corrente humana na frente das barricadas pró-democracia, de forma a manter o grupo pró-Mubarak à distância, numa tentativa tardia de pôr fim à violência que deflagrou durante a noite, no entanto, não é claro se existe alguma decisão por parte do exército no sentido de adoptar uma atitude mais pró-activa.

Os manifestantes pró-democracia também formaram um cordão à volta da praça Tahrir, de forma a verificar as identificações de quem entra na praça e a existência de armas.

Médicos locais reportavam, até às 14 horas de quinta-feira, 1500 feridos e sete mortos.

Shafiq Ahmed, o primeiro-ministro do Egipto, pediu desculpas pelos eventos de quarta-feira, afirmando que haverá uma investigação sobre a violência e negou qualquer conhecimento sobre a origem da concentração pró-Mubarak.

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