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Morreu John Lewis, organizador da Marcha pelo Trabalho e Liberdade em Washington

John Lewis, ativista histórico pelos direitos civis contra a discriminação racial nos Estados Unidos da América, morreu esta sexta-feira aos 80 anos, vítima de cancro no pâncreas. Pouco antes tinha afirmado que o movimento Black Lives Matter era " muito comovente".
John Lewis (segundo a contar da direita) na Marcha pelos Direitos Civis em Washington, 1963 - NARA
John Lewis (segundo a contar da direita) na Marcha pelos Direitos Civis em Washington, 1963 - NARA

O membro do Congresso dos EUA eleito pelo Estado da Georgia, foi um dos ativistas centrais na luta contra a discriminação racial nos anos 60. Era o último representante vivo da Marcha pelo Trabalho e Liberdade em Washington, em 1963, um momento pivotal no movimento contra o racismo institucional, lugar do famoso discurso de Matin Luther King, frente ao memorial de Abraham Licoln.

Lewis considerou o movimento #BlackLivesMatter, despoletado pelo assassínio de George Floyd, uma continuação do movimento iniciado então. “É muito, muito comovente ver centenas de milhares de pessoas de toda a América e à volta do mundo ir para a rua - para protestar, protestar, para se meterem no que chamo de ‘bons problemas”, disse em junho em entrevista à CBS, noticia o New York Times.

O #BlackLivesMatter “parece diferente. É muito mais massivo e inclusivo. Não se volta atrás depois disto”, acrescentou ainda.

Lewis fez parte dos 13 Freedom Riders, os ativistas negros e brancos que desafiaram as regras de segregação racial nas viagens entre estados no sul dos EUA, em 1961. Radicalmente pacifista, foi fundador e líder do Comité de Coordenação Não-Violenta de Estudantes, que organizou várias manifestações de ocupação do espaço público sentando-se no chão.

Organizou ainda dezenas de manifestações e protestos em locais segregados, como casas-de-banho, hotéis, restaurantes, parques e piscinas públicas, e contra a própria ideia de cidadania de segunda classe. Foi repetidamente espancado por grupos de "orgulho branco" ou as próprias autoridades policiais.

Liderou uma das mais importantes marchas da história dos direitos civis nos EUA, à saída de Selma, a 7 de março de 1965, no Alabama, à frente de 600 pessoas exigindo o direito ao voto que lhes foi negado. Frente a uma força policial esmagadora, Lewis e os protestantes pacíficos recusaram-se a dispersar e foram violentamente atacados pelas forças policiais.

As forças policiais eram compostas por todos os homens brancos acima dos 21 anos que responderam à ordem do xerife, Jim Clark, para os nomear na manhã de dia 7 de março como membros da forças de autoridade, de forma a atacar os manifestantes em força. As imagens de brutalidade chegaram às televisões de todo o país, criando apoio público para a aprovação pelo Congresso do Voting Rights Act, oito dias depois, uma lei que deitou abaixo vários entraves para o acesso ao voto por parte das comunidades negras.

O efeito imediato foi a inclusão de milhões de afro-americanos em todo o sul dos EUA, que resultaria também na eleição de John Lewis em 1986, o segundo negro a ser eleito pelo Estado da Georgia.

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