Moções deram início ao debate na Convenção

29 de novembro 2025 - 13:40

As cinco moções de orientação política apresentaram as suas propostas à XIV Convenção do Bloco.

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XIV Convenção do Bloco
XIV Convenção do Bloco. Foto de Rafael Medeiros

Uma mudança no horário previsto permitiu à Mesa da Convenção antecipar a apresentação das moções, que estava prevista para o início da tarde de sábado após a interrupção para almoço. Uma das moções não tinha o seu representante na sala, pelo que fez a apresentação no início dos trabalhos da tarde.

Alexandre Abreu
Alexandre Abreu, da moção A. Foto de Rafael Medeiros.

Alexandre Abreu apresentou a moção A, que representa cerca de 80% dos delegados e indicou José Manuel Pureza como primeiro candidato na sua lista à direção bloquista. Alexandre Abreu começando por sublinhar o contexto político atual no mundo, com uma direita radicalizada a hegemonizar as redes sociais e os media e um enterro do direito internacional com o genocídio em Gaza, que representa “a necropolítica que a todos ameaça”. Face a este contexto, defendeu que “é preciso resistir”, sem perder de vista “o horizonte ecossocialista que nos move”. “Resistir não para nos fecharmos na defesa do que existe, mas para virarmos o jogo depois”, acrescentou.

No plano interno, Alexandre Abreu afirmou que a moção A admite responsabilidades próprias nas derrotas eleitorais, defendendo que é preciso “fazer mais e melhor para ser alternativa forte” e que isso passa por debater mais, “de forma livre e fraterna, mobilizando todos os militantes”. Este “partido mais vivo e mais politizado” deve por um lado reforçar a atividade dos grupos locais e temáticos, e por outro lado “escutar com humildade quem já nos foi próximo e se afastou”. Só com a presença nos bairros e movimentos o Bloco pode ser um “motor de convergências” que recuse o sectarismo, no plano imediato nas lutas contra o pacote laboral e em defesa da democracia.

Nuno Pinheiro
Nuno Pinheiro, da moção S. Foto de Rafael Medeiros.

Nuno Pinheiro apresentou a moção S, que indica Adelino Fortunato como primeiro candidato à Mesa Nacional, e começou por lamentar tanto a fraca afluência dos aderentes no processo convencional como as vicissitudes que levaram ao adiamento da Convenção devido às eleições. Sobre os resultados eleitorais, afirmou que “as ilusões parlamentaristas criadas no tempo da geringonça dão mais peso às derrotas” e lembrou que na última conferência nacional esta moção tinha alertado para o risco de dissolução política.

“Na moção S, trabalhámos como um coletivo, todos construímos as propostas”, dos estatutos à moção política, prosseguiu Nuno Pinheiro. E da mesma forma “seremos todos a reconstruir o Bloco”, com o objetivo de “alargar e não fechar o partido” e marcar presença nas lutas todas, articulando-as “para que confluam num objetivo que é a sociedade sem classes”, ao mesmo tempo que se faz a disputa do terreno do descontentamento à extrema-direita.

Samuel Cardoso
Samuel Cardoso, da moção H. Foto de Rafael Medeiros.

Pela moção H, Samuel Cardoso defendeu que a resposta à “crise profunda” que o Bloco vive é “que se assuma frontalmente anticapitalista e antissistema”, assumindo que o caminho da “moderação” para disputar a base social do PS falhou. Insistir nesse caminho, prosseguiu, é “um tiro no pé”.

No plano da organização interna, criticou a estratégia de “construção mediática do partido em detrimento da promoção de uma militância de alta intensidade”, propondo em alternativa “um partido que dialogue e esteja nos sítios onde se cria comunidade” e que se organize “de baixo para cima”, com mais poder para as distritais e concelhias decidirem sobre as suas atividades.

Bruno Candeias
Bruno Candeias, da moção B. Foto de Rafael Medeiros.

Bruno Candeias apresentou a moção B, num momento que considerou o “mais difícil da história do partido” e não poupando críticas à atual direção por ter dado forma a um “partido centralizado que esmagou minorias”, com uma “organização opaca e blindada à democracia”, uma linha política “ziguezagueante” e que “olhou com desconfiança para a autonomia das bases”. Resumiu assim a grande questão desta convenção: “Queremos realmente mudar ou apenas dizemos querer mudar para que fique tudo na mesma?”

O objetivo da moção B, prosseguiu Bruno Candeias, é o de fazer da convenção “um momento de refundação” e de reconstruir o partido para um novo ciclo, pois “nunca a força do Bloco foi tão importante”. No plano organizativo, criticou a proposta da moção A de criar o cargo de responsável pela organização, considerando-o uma “ideia cosmética”. E defendeu em alternativa mais autonomia para as bases, com “decisões tomadas a partir de baixo, numa democracia de alta intensidade”.

Américo Campos
Américo Campos, da moção C. Foto de Rafael Medeiros

Após o intervalo para almoço, os trabalhos da Convenção retomaram com a apresentação da moção C. Américo Campos criticou o funcionamento interno do Bloco por entender que “os órgãos legítimos limitam-se a sacramentar as decisões vinculativas das cúpulas das tendências”. Salientando que estamos todos imbuídos do mesmo espírito transformador e que “o que nos separa são apenas alguns detalhes sobre os métodos para atingirmos os mesmos fins”, apelou ao respeito pelas minorias “sem arrogância e sem prepotência” por parte das “tendências dominantes”. Sobre os maus resultados eleitorais, considerou que para isso contribuiu “a perceção pública de que o Bloco não era muito apegado à democracia”. Para reverter o declínio eleitoral, propôs que o Bloco volte identificar-se enquanto partido de protesto.

As críticas de Américo Campos estenderam-se ao plano organizativo, por exemplo com a inexistência de estruturas interconcelhias que agregassem militantes dispersos ou de inerências que garantam a presença de dirigentes locais em organismos intermédios, o que “traria mais democracia interna”. A moção C não elegeu o número mínimo de delegados para poder apresentar uma lista à Mesa Nacional, pelo que os seus delegados vão votar na lista da moção A, “confiantes que os seus dirigentes aprenderam com os erros do passado e não os irão repetir”

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