Ministra francesa demite-se em protesto contra nova política de nacionalidade

27 de janeiro 2016 - 12:55

A ministra da Justiça, Christiane Taubira, demitiu-se esta manhã, em protesto contra a proposta de reforma constitucional que permitirá retirar os direitos de cidadania francesa a condenados por terrorismo com dupla nacionalidade. “Por vezes, resistir significa permanecer, por outras, resistir significa partir”, escreveu no Twitter.

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Foto de ETIENNE LAURENT/EPA/LUSA.

Christiane Taubira, que era considerada a “garantia da esquerda” no atual Governo francês, deixa a pasta da Justiça antes mesmo de começar o debate sobre a proposta de retirar a dupla nacionalidade francesa a condenados por terrorismo. Hoje já se prevê a retirada da nacionalidade francesa a quem a tenha adquirido, mas não aos que nasceram no próprio país, como agora se propõe.

A oposição de Taubira aos planos apresentados pelo Governo francês depois dos ainda recentes ataques terroristas do Daesh em Paris já era conhecida. Apesar disso, a agora ex-ministra surgiu ao lado do primeiro-ministro francês Manuel Valls quando a medida foi anunciada.

François Hollande aceitou a demissão da ministra e apontou já um sucessor: Jean-Jacques Urvoas, que, ao contrário de Taubira, apoia o plano de reforma constitucional dos socialistas franceses, disputado no interior do próprio partido. Aliás, segundo o jornal francês Le Monde, Urvoas é um dos autores da lei.

Christiane Taubira era considerada a “garantia da esquerda” no atual Governo francês.

A sua demissão parecia iminente já em Dezembro, no momento em que Taubira protestou publicamente contra a reforma, ao afirmar que violava os direitos dos cidadãos nascidos em França.

Christiane Taubira era então vista como a figura mais progressista no Executivo de Hollande, que desde os últimos atentados em França criou divisões no seu próprio Partido Socialista em relação às  medidas securitárias que atentam contra o Estado de Direito, embora justificadas com o combate à ameaça terrorista. “A retirada de nacionalidade não é desejável”, disse em Dezembro Taubira, assumindo a divergência.

“Concordaram na necessidade de terminar o seu papel num momento em que o debate sobre a revisão constitucional começa na Assembleia”, lê-se num comunicado do Palácio do Eliseu, citado pela imprensa francesa, que ainda assim elogia o papel de Taubira ao leme da lei que veio permitir o casamento a casais do mesmo sexo em França.

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