"Foi detetado, em 2012, um problema mecânico resultante da fadiga dos materiais de suporte dos freios eletromagnéticos, que constituem um dos vários sistemas de travagem instalados no material circulante", avança a Metro de Lisboa (ML) em resposta às questões colocadas pelo jornal i.
A empresa pública refere ainda que, perante esta situação, "decidiu imediatamente implementar medidas de mitigação do risco, tendo optado pela desativação deste freio em toda a frota", impondo também a velocidade máxima de 45 km/h, que, conforme refere a ML, permite garantir, apenas com os sistemas existentes, “a compatibilidade da infraestrutura com o novo padrão de funcionamento".
Contudo, o jornal i cita fontes ligadas ao setor ferroviário que asseveram que, se à saída do túnel, o maquinista tiver necessidade de parar o comboio não conseguirá fazê-lo sem que três carruagens entrem na estação, dado que atualmente os equipamentos só contam com dois meios de travagem: travagem efetuada pelos motores e travagem realizada pelos freios de disco. Caso o sistema de freios eletromagnéticos também estivesse a funcionar, apenas uma carruagem entraria na estação, na medida em que a travagem seria muito mais rápida e eficiente.
Os profissionais do sector ferroviário defendem ainda que, ao não ter garantido a reparação imediata dos freios eletromagnéticos, a empresa pública terá gasto mais na manutenção dos travões mecânicos. Segundo esclarecem, quando os travões elétricos não estão a funcionar e se utilizam apenas os travões de discos regista-se um desgaste substancial destas peças que se traduz em despesas de manutenção elevadas.
"Estes travões, que não têm uma paragem tão eficiente, se estiverem em uso permanente obrigam a uma substituição muito mais frequente de cepos e discos", afirmou uma fonte ligada ao setor, sublinhando que "a substituição de material como discos e cepos não é barata".
O i também tentou obter uma reação por parte do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMT), ao qual cabe "assegurar a coordenação geral do sistema de transportes terrestres, promovendo e apoiando a implementação de estratégias que contribuam para a eficácia e segurança dos equipamentos". Até ao momento, o IMT não prestou qualquer esclarecimento.
Ainda que a ML negue qualquer quebra de segurança, assegura que tudo estará resolvido no segundo semestre.