Metro de Lisboa está sem travões de emergência há dois anos

30 de maio 2014 - 11:38

Após ter sido detetada, em 2012, uma falha nos freios eletromagnéticos, a empresa desativou este sistema de travagem, sem ter, até ao momento, assegurado a sua substituição. Esta situação encarece a manutenção dos equipamentos e condiciona uma imobilização rápida e eficiente dos comboios, segundo avança o jornal i.

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Foto de Paulete Matos.

"Foi detetado, em 2012, um problema mecânico resultante da fadiga dos materiais de suporte dos freios eletromagnéticos, que constituem um dos vários sistemas de travagem instalados no material circulante", avança a Metro de Lisboa (ML) em resposta às questões colocadas pelo jornal i.

A empresa pública refere ainda que, perante esta situação, "decidiu imediatamente implementar medidas de mitigação do risco, tendo optado pela desativação deste freio em toda a frota", impondo também a velocidade máxima de 45 km/h, que, conforme refere a ML, permite garantir, apenas com os sistemas existentes, “a compatibilidade da infraestrutura com o novo padrão de funcionamento".

Contudo, o jornal i cita fontes ligadas ao setor ferroviário que asseveram que, se à saída do túnel, o maquinista tiver necessidade de parar o comboio não conseguirá fazê-lo sem que três carruagens entrem na estação, dado que atualmente os equipamentos só contam com dois meios de travagem: travagem efetuada pelos motores e travagem realizada pelos freios de disco. Caso o sistema de freios eletromagnéticos também estivesse a funcionar, apenas uma carruagem entraria na estação, na medida em que a travagem seria muito mais rápida e eficiente.

Os profissionais do sector ferroviário defendem ainda que, ao não ter garantido a reparação imediata dos freios eletromagnéticos, a empresa pública terá gasto mais na manutenção dos travões mecânicos. Segundo esclarecem, quando os travões elétricos não estão a funcionar e se utilizam apenas os travões de discos regista-se um desgaste substancial destas peças que se traduz em despesas de manutenção elevadas.

"Estes travões, que não têm uma paragem tão eficiente, se estiverem em uso permanente obrigam a uma substituição muito mais frequente de cepos e discos", afirmou uma fonte ligada ao setor, sublinhando que "a substituição de material como discos e cepos não é barata".

O i  também tentou obter uma reação por parte do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMT), ao qual cabe "assegurar a coordenação geral do sistema de transportes terrestres, promovendo e apoiando a implementação de estratégias que contribuam para a eficácia e segurança dos equipamentos". Até ao momento, o IMT não prestou qualquer esclarecimento.

Ainda que a ML negue qualquer quebra de segurança, assegura que tudo estará resolvido no segundo semestre.