"Portugal está no caminho certo", declarou a chanceler alemã no final da audiência do primeiro-ministro português em Berlim. Ao fim de três anos de aplicação do memorando da troika, que fez disparar o desemprego, a emigração e a dívida, com o país em recessão económica aprofundada, Angela Merkel teve palavras de apoio para a política de cortes do Governo PSD/CDS, dando-lhe o "mérito de quem aplicou as medidas austeras".
"Portugal passou por um processo de reformas com grande peso para a população, mas hoje vemos que os dados melhoraram e são positivos e isso também se vê na evolução dos juros da dívida soberana. Por isso, tenho grande respeito pelo que se fez em Portugal," declarou Merkel, citada pelo Expresso, ignorando os dados que revelam que os juros da dívida grega desceram mais que os da dívida portuguesa no mesmo período.
Angela Merkel referiu-se também ao contexto político português, valorizando o empenho de António José Seguro na defesa do Tratado Orçamental, que impede o país de adotar medidas de combate à crise ao impor um défice estrutural de 0,5% do PIB e apertada vigilância dos orçamentos de Estado por parte de Bruxelas.
Na véspera do encontro com Merkel, o primeiro-ministro reuniu com António José Seguro, que no final do encontro destacou "o grande consenso" em torno das regras orçamentais do Tratado elaborado por Merkel e o ex-presidente francês Sarkozy. Seguro recordou aos jornalistas que o PS "votou favoravelmente o tratado orçamental e a introdução de uma regra de disciplina orçamental na lei de enquadramento orçamental", o que tranquilizou a chanceler alemã quanto à orientação de um eventual governo liderado pelo atual secretário-geral socialista.
Sobre o futuro da vigilância de Berlim e Bruxelas às finanças portuguesas, Angela Merkel diz compreender "muito bem que o primeiro-ministro diga que vai decidir quando for altura de decidir, e a Alemanha apoiará qualquer decisão que o Governo tomar. Nós sempre apoiámos Portugal e vamos continuar a fazê-lo. E vamos esperar pela altura em que a decisão vai ser tomada, mas penso que o contexto é muito positivo", concluiu a chanceler, citada pela agência Lusa.