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Manifestação em Luanda decorreu sem qualquer incidente

A ação realizou-se este sábado, 21 de novembro, em Luanda, por melhores condições de vida e contra a corrupção. “Fica claro que o estado de calamidade não impede o exercício desta Liberdade Fundamental dum estado de direito”, escreveu Filomeno Vieira Lopes do Bloco Democrático, no facebook.
Manifestação "Por um combate à corrupção e à impunidade em Angola sério e justo contra todos os suspeitos", Luanda, Angola, 21 de novembro de 2020 – Foto de Ampe Rogério/Lusa
Manifestação "Por um combate à corrupção e à impunidade em Angola sério e justo contra todos os suspeitos", Luanda, Angola, 21 de novembro de 2020 – Foto de Ampe Rogério/Lusa

A concentração foi convocada por um grupo de cinco pessoas da sociedade civil angolana: Laura Macedo, Leandro Freire, Helena Victória Pereira, Fernando Macedo e Muata Sebastião. A ação teve como lema “Por um combate à corrupção e à impunidade em Angola, sério e justo contra todos os suspeitos” e foi convocada para o Largo da Independência, no 1º de Maio, em Luanda.

Segundo a Lusa, o protesto ficou também marcado pela memória do jovem Inocêncio de Matos, morto na manifestação de 11 de novembro, pela brutal repressão policial. Este sábado terão estado presentes no protesto cerca de 200 pessoas. A polícia esteve no local, com uma presença discreta.

Filomeno Vieira Lopes do Bloco Democrático de Angola escreveu na sua página no facebook: “Terminou sem qualquer tipo de incidente a manifestação anti-corrupção. Fica claro que o estado de calamidade não impede o exercício desta Liberdade Fundamental dum estado de direito. Fica também claro a capacidade cívica dos seus promotores. E sempre que a Policia não se lembre de distribuir "reboçados e chocolates" não há perturbações da ORDEM Pública. Os teóricos do pânico que fiquem descansados.…”.

Jovens conseguiram concentrar-se no centro da cidade de Luanda

A Lusa assinala que os jovens desta vez conseguiram concentrar-se no centro da cidade e apresentar as suas reivindicações, sem repressão policial, ao contrário do que aconteceu em 24 de outubro e 11 de novembro. Os jovens ativistas quiseram também homenagear Inocêncio de Matos, assassinado pela repressão policial no 45º aniversário da Independência Nacional, a 11 de novembro de 2020. (ver notícia no esquerda.net)

Em declarações ao Novo Jornal, Fernando Macedo, um dos organizadores do protesto, explicou que os objetivos desta concentração são os mesmos das manifestações de 24 de outubro e 11 de novembro, acrescentando exigências políticas mais abrangentes como a revisão da Constituição e o combate à corrupção de forma global e não “seletiva”.

Em relação à revisão constitucional, os organizadores exigem que a Lei Fundamental passe a definir que o Presidente da República é eleito em nome individual e não como cabeça de lista de um partido político. Exigem ainda a demissão do atual presidente da Comissão Nacional de Eleições e do chefe de gabinete do Presidente da República, Edeltrudes Costa.

Segundo Fernando Macedo, os manifestantes querem ainda a realização de inquéritos parlamentares aos gastos da Sonangol e da Endiama (Empresa Nacional de Prospecção, Exploração, Lapidação e Comercialização de Diamantes de Angola), assim como um combate mais eficaz ao desemprego e à pobreza e a realização de eleições locais num calendário distinto do das eleições gerais.

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