Genocídio

Mais de 70 ex‑concorrentes da Eurovisão apelam ao boicote de Israel

07 de maio 2025 - 21:08

Da lista fazem parte os portugueses Salvador Sobral, António Calvário, Fernando Tordo, Lena D'Água e Rita Reis das Nonstop, que recusam que o “poder unificador da música” seja “utilizado como ferramenta para encobrir crimes contra a humanidade”.

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Logotipo do festival eurovisão de 2025.
Logotipo do festival eurovisão de 2025.

72 ex-concorrentes do festival Eurovisão da canção escreveram uma carta aberta à União Europeia de Radiodifusão (EBU), a entidade organizadora, na qual defendem que Israel deve ficar fora da competição.

Os signatários dizem que permitir a participação de Israel é “pactuar com os crimes israelitas em Gaza” face às suas “graves violações do direito humanitário internacional” e acusam a emissora israelita KAN de ser “cúmplice do genocídio contra os palestinianos em Gaza e do regime de apartheid e ocupação militar contra todo o povo palestiniano que dura há décadas”.

A EBU, “ao continuar a dar uma plataforma de representação ao Estado de Israel, está a normalizar e a branquear os seus crimes”, apontam.

Aos argumentos de que o festival não é político, contrapõem que a EBU tem “dois pesos e duas medidas”, pois desde a invasão da Ucrânia afastou a Rússia do festival mas não fez o mesmo enquanto o Estado sionista comete um genocídio em Gaza. A permissão da participação de Israel o ano passado gerou a edição “mais politizada, caótica e desagradável” da história do concurso, afirmam no documento divulgado em exclusivo pelo jornal britânico The Independent.

Dizendo acreditar “no poder unificador da música”, recusam assim permitir que esta seja “utilizada como ferramenta para encobrir crimes contra a humanidade”.

A carta publicada em conjunto pelo movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) e pelos Artistas pela Palestina inclui várias estrelas da música europeia. Ao nível nacional, constam os nome de Salvador Sobral, António Calvário, Fernando Tordo, Lena D'Água e Rita Reis das Nonstop.

O festival deste ano acontecerá em Basileia, na Suíça, entre 13 e 17 de maio. Israel, tal como no ano passado, procura apoio para os seus ataques militares fazendo concorrer Yuval Raphael, que estava no Festival Nova a 7 de outubro de 2023 quando o Hamas fez o seu ataque a Israel.

Alvo de críticas tem sido também a presença como grande patrocinador da Moroccanoil, uma empresa israelita de produtos de cosmética.