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Hungria: Milhares de pessoas desafiam Orbán em Marcha do Orgulho LGBTQI+

Este sábado, cerca de 30 mil pessoas participaram na iniciativa em solidariedade com a comunidade LGBTQI + do país e em protesto contra a nova legislação discriminatória do executivo de Viktor Orbán.
Foto de Budapest Eye.

A aprovação, no passado dia 15 de junho, de um pacote legislativo onde se proíbe a divulgação de conteúdo que “mostre ou promova a sexualidade, a mudança de sexo ou a homossexualidade” a menores de 18 anos e restringe o acesso à educação sexual nas escolas, serviu como um verdadeiro catalisador para a Marcha do Orgulho LGBTQI+ de Budapeste. A lei foi alvo de duras críticas de vários países europeus, bem como uma condenação do parlamento europeu contra o governo de Orbán.

Um porta-voz da Háttér Társaság, a mais antiga organização não-governamental de lésbicas, gays, transgénero, queer e intersexuais da Hungria, disse ao programa Newshour da BBC que a lei "incentiva" e "legitima ser abertamente homofóbico ou transfóbico".

Tamas Dombos alertou ainda que o impacto desta legislação "permanecerá connosco por muitos anos".

De acordo com a organização da iniciativa, cerca de 30 mil pessoas participaram no Budapest Pride, que atravessou a Ponte da Liberdade da cidade sobre o Danúbio.

Lili Bayer, do Politico relata que alguns membros do Parlamento Europeu juntaram-se à marcha e que os participantes, na sua maioria jovens, mantiveram um clima festivo, dançando canções dos Abba e agitando bandeiras de arco-íris.

Entre os participantes, que incluíam muitos alunos do ensino secundário, existia a consciência de que este foi um ato de desafio.

“Nos últimos dois anos, tivemos um ataque do governo contra a comunidade LGBTQI, muito discurso de ódio e também a adoção de legislação restritiva quando se trata de direitos transgéneros, adoção e, mais recentemente, uma lei de propaganda no estilo russo”, explicou Tamás Dombos ao Politico.

“Muitas pessoas vieram manifestar o seu apoio e mostrar que nem todos pensam como o nosso governo”, frisou.

Pequenos grupos de ativistas de extrema direita, alguns com t-shirts com o slogan "Defenda a Europa", organizaram contra-protestos. Eles esperaram pela passagem da marcha perto das margens do Danúbio com grandes placas onde se lia “STOP LGBT”. Gritaram ainda vários insultos.

Os participantes da Marcha do Orgulho LGBTQI+ responderam com aplausos e slogans como “amar é um direito humano”.

A questão dos direitos LGBTQI + deverá permanecer no topo da agenda política da Hungria antes de uma importante eleição parlamentar no próximo ano. Na quarta-feira, o primeiro-ministro Viktor Orbán anunciou um referendo sobre cinco questões relacionadas com os direitos das minorias sexuais. “Bruxelas atacou claramente a Hungria nas últimas semanas (…) Quando a pressão sobre nosso país é tão forte, apenas a vontade comum do povo pode proteger a Hungria”, defendeu o presidente húngaro.

As embaixadas de cerca de 30 países emitiram uma declaração conjunta de apoio à Marcha do Orgulho LGBTQI+. Na missiva, expressam a sua preocupação com os “desenvolvimentos recentes que ameaçam o princípio da não discriminação em função da orientação sexual ou identidade de género”. “Encorajamos medidas em todos os países para garantir a igualdade e dignidade de todos os seres humanos, independentemente da sua orientação sexual ou identidade de género, e enfatizamos a necessidade de os líderes eleitos e governos mostrarem respeito e protegerem os direitos das pessoas LGBTQI + ”, acrescentam as embaixadas.

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