Milhares de manifestantes percorreram as ruas de Port-au-Prince esta segunda-feira em protesto contra o domínio dos gangues, a violência que impõem e a falta de serviços médicos.
De acordo com a Sky News, estima-se que cerca de 80% da capital do Haiti tenha ficado nas mãos de gangues. Em outubro passado, o primeiro-ministro do país Ariel Henry, pediu que uma força internacional fosse enviada para ajudar a combater a criminalidade. António Guterres, secretário-geral da ONU, secundou este pedido.
Assim, há meses que vários países, entre os quais os EUA, negoceiam. Os norte-americanos não pretendem intervir diretamente e o secretário de Estado Antony Blinken diz apenas que o seu governo está “determinado a pôr em prática tudo o que é necessário para a criação de uma força multinacional, incluindo encontrar uma nação líder para o fazer”.
Recentemente, o Quénia quebrou o impasse ofereceu-se para enviar 1.000 agentes para a ajudar a treinar a polícia haitiana mas não há ainda acordo sobre esta solução.
Na sequência da manifestação houve veículos incendiados e a polícia disparou gás lacrimogéneo. A Reuters cita alguns destes manifestantes que declararam coisas como “já não conseguimos viver mais assim. Os bairros estão gangsterizados. As pessoas estão a abandonar as suas casas”.
A agência da ONU para os refugiados calcula que 73.500 tenham saído do país no ano passado, fugindo quer da violência dos gangues, quer da pobreza, e que 5,2 million, ou seja perto de metade da população do país precise de ajuda humanitária.
Entretanto, a Unicef divulgou dados que ilustram como a violência afeta a vida de crianças: quase 300 crianças foram sequestradas nos primeiros seis meses de 2023. Ricardo Pires, porta-voz do Unicef para crises humanitárias, diz que, por isto, a organização da ONU para a infância está “extremamente preocupada com a situação de mulheres e crianças no Haiti”. O responsável acrescenta que “o sequestro é apenas um dos perigos que eles enfrentam todos os dias”, há outros como a insegurança alimentar e o regresso da cólera, e que o número de pessoas a necessitar de ajuda urgente é maior “do que no pico da crise de 2010, após o terramoto que devastou o país”.