São 55 mil edições diárias de um jornal nacional. Guardados em microfilme, a partir de 1970 estão cerca de um milhão de fotografias, 3,5 milhões de negativos, 50 mil chapas de vidro, zincogravuras e provas de contacto e dez mil desenhos originais. Há artigos originais de Victor Hugo, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e de D. Carlos. Há ilustrações de Rafael e Columbano Bordalo Pinheiro, de Stuart Carvalhais e de Almada Negreiros.
Daqui se pode concluir facilmente que o arquivo do Diário de Notícias, jornal fundado em 1864, é um tesouro a proteger. E como este espólio está “arrumado num armazém, inutilizável e em risco de poder vir a desaparecer no contexto da crise que atravessa a empresa proprietária, o grupo Global Media”, um grupo de cidadãos decidiu enviar à Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas um pedido de classificação urgente “como património arquivístico protegido, com vista à sua salvaguarda, organização e futuro acesso público”, dados os “riscos de extravio, deterioração e até destruição que neste momento o espreitam”.
O porta-voz do grupo é o historiador Fernando Rosas. Ao jornal Público explica que “o DN é o jornal mais antigo do continente, com um espólio absolutamente único no país. Tal como dizemos no documento, tem originais de Eça de Queirós, de Bordalo Pinheiro, do rei D. Carlos, além de toda a riqueza fotográfica”. Como “o destino da empresa não está claro. O jornal pode ser vendido. Tem credores. Isso torna o arquivo completamente vulnerável.”
Trata-se, acrescenta, de abrir um processo para a classificação do arquivo como património arquivístico de interesse nacional “e ninguém lhe pode mexer a partir daí. É a mesma coisa do que acontece com os monumentos, mas não se trata de alterar a sua propriedade.”
A lista completa de subscritores deste pedido é a seguinte:
Alexandre Manuel, antigo jornalista do DN, professor universitário
Alfredo Caldeira, jurista
António José Teixeira, jornalista
António Ramalho Eanes, Presidente da República (1976-1986)
Diana Andringa, jornalista
Fernando Rosas, historiador
Francisco Azevedo Silva, vogal do Conselho Regulador da ERC, diretor adjunto e subdiretor do DN (1997-2005)
Francisco José Viegas, escritor e editor
Irene Pimentel, historiadora
Jacinto Godinho, jornalista e investigador do ICNOVA-FCSH
Jorge Sampaio, Presidente da República (1996-2006)
José Carlos Vasconcelos, jornalista
José Luís Peixoto, escritor
José Mário Silva, jornalista
José Pedro Castanheira, jornalista
José Rebelo, professor emérito ISCTE
Leonete Botelho, jornalista
Maria Augusta Babo, professora universitária UNL
Mário Mesquita, vice-presidente do Conselho Regulador da ERC, diretor do DN (1978-1986)
Pacheco Pereira, historiador
Raimundo Narciso, ex-presidente do movimento Não Apaguem a Memória
Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas.