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Grupo de cidadãos quer preservar arquivo do Diário de Notícias

Fernando Rosas esclarece que se trata de classificar o espólio como património arquivístico protegido para impedir que seja vítima da situação financeira da empresa. Os ex-presidentes Jorge Sampaio e Ramalho Eanes e os jornalistas Adelino Gomes, José Carlos Vasconcelos e Diana Andringa também subscrevem.
Capa do primeiro número do Diário de Notícias.
Capa do primeiro número do Diário de Notícias.

São 55 mil edições diárias de um jornal nacional. Guardados em microfilme, a partir de 1970 estão cerca de um milhão de fotografias, 3,5 milhões de negativos, 50 mil chapas de vidro, zincogravuras e provas de contacto e dez mil desenhos originais. Há artigos originais de Victor Hugo, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão e de D. Carlos. Há ilustrações de Rafael e Columbano Bordalo Pinheiro, de Stuart Carvalhais e de Almada Negreiros.

Daqui se pode concluir facilmente que o arquivo do Diário de Notícias, jornal fundado em 1864, é um tesouro a proteger. E como este espólio está “arrumado num armazém, inutilizável e em risco de poder vir a desaparecer no contexto da crise que atravessa a empresa proprietária, o grupo Global Media”, um grupo de cidadãos decidiu enviar à Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas um pedido de classificação urgente “como património arquivístico protegido, com vista à sua salvaguarda, organização e futuro acesso público”, dados os “riscos de extravio, deterioração e até destruição que neste momento o espreitam”.

O porta-voz do grupo é o historiador Fernando Rosas. Ao jornal Público explica que “o DN é o jornal mais antigo do continente, com um espólio absolutamente único no país. Tal como dizemos no documento, tem originais de Eça de Queirós, de Bordalo Pinheiro, do rei D. Carlos, além de toda a riqueza fotográfica”. Como “o destino da empresa não está claro. O jornal pode ser vendido. Tem credores. Isso torna o arquivo completamente vulnerável.”

Trata-se, acrescenta, de abrir um processo para a classificação do arquivo como património arquivístico de interesse nacional “e ninguém lhe pode mexer a partir daí. É a mesma coisa do que acontece com os monumentos, mas não se trata de alterar a sua propriedade.”

A lista completa de subscritores deste pedido é a seguinte:

Adelino Gomes, jornalista

Alexandre Manuel, antigo jornalista do DN, professor universitário

Alfredo Caldeira, jurista

António José Teixeira, jornalista

António Ramalho Eanes, Presidente da República (1976-1986)

Diana Andringa, jornalista

Fernando Rosas, historiador

Francisco Azevedo Silva, vogal do Conselho Regulador da ERC, diretor adjunto e subdiretor do DN (1997-2005)

Francisco José Viegas, escritor e editor

Irene Pimentel, historiadora

Jacinto Godinho, jornalista e investigador do ICNOVA-FCSH

Jorge Sampaio, Presidente da República (1996-2006)

José Carlos Vasconcelos, jornalista

José Luís Peixoto, escritor

José Mário Silva, jornalista

José Pedro Castanheira, jornalista

José Rebelo, professor emérito ISCTE

Leonete Botelho, jornalista

Maria Augusta Babo, professora universitária UNL

Mário Mesquita, vice-presidente do Conselho Regulador da ERC, diretor do DN (1978-1986)

Pacheco Pereira, historiador

Raimundo Narciso, ex-presidente do movimento Não Apaguem a Memória

Sofia Branco, presidente do Sindicato dos Jornalistas.

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