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G7 discute sanções, manifestantes querem justiça climática e combate à pobreza

Antes da cimeira começar, milhares desfilaram em Munique. Esta segunda-feira, houve ações em vários pontos da Europa: bloqueio da sede do FMI em Paris, ocupação simbólica do parlamento britânico e projeção do símbolo da paz nas montanhas perto da reunião dos mais governantes mais poderosos do mundo.
Cartaz anti-G7 em frente ao castelo onde se realiza a cimeira. Foto de RONALD WITTEK/EPA/Lusa.

As novas sanções contra a Rússia, entre as quais a proibição de importação de ouro deste país, e as demonstrações de unidade face à invasão da Ucrânia foram o centro da mensagem pública do primeiro dia da cimeira dos sete países mais poderosos do mundo. Entre domingo e terça-feira, o G7 reúne-se no castelo de Elmau, na Alemanha, com a guerra como principal preocupação. O mesmo tema que dominará em seguida a cimeira da NATO que começa na próxima quarta-feira.

Biden e Scholz começaram por sublinhar a união destes países face à guerra, com este último a acrescentar que esse foi um cenário que Putin “nunca esperou”. Mas enquanto isso, à porta fechada, Boris Johnson encontrava-se com Emmanuel Macron. O presidente francês insiste em anunciar a necessidade de negociações enquanto que Johnson, segundo um porta-voz do governo britânico, terá defendido que não é altura de passar esta mensagem. Por outro lado, terão concordado, de acordo com esta mesma fonte, em reforçar o apoio ao governo ucraniano.

Já esta segunda-feira, o presidente Zelensky dirigiu-se aos membros da cimeira através de vídeoconferência para pedir mais sanções, ajuda para conseguir exportar cereais e o envio de sistemas de defesa antiaérea. Ocasião para novos anúncios de apoio à Ucrânia no valor de “até cerca de 27 mil milhões de euros” neste ano e de implementar um “teto máximo” ao preço do petróleo para reduzir as receitas do regime de Putin, medida que, esclarece-se, ainda não tem prazo de aplicação.

Para além do reforço das sanções, em cima da mesa de discussões também esteve o programa com que os EUA tentam contrariar a “nova rota da seda” da China, denominado Parceria para Infraestrutura Global e Investimento. Biden informou que o G7 irá investir 600 mil milhões de dólares neste plano estratégico que passa pelo apoio a países em desenvolvimento para tentar barrar a influência chinesa mas também a russa neste domínio. Desse montante, os EUA serão responsáveis por 200.000 milhões de dólares, de fundos públicos e privados, em cinco anos.

Aos governantes que fazem parte do G7, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, juntaram-se os seus convidados: para além dos responsáveis da União Europeia, o presidente argentino, Alberto Fernández, o da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o do Senegal, Macky Sall, o da Indonésia, Joko Widodo, e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi.

Protestos à porta do G7

No sábado, cerca de 6.000 manifestantes convocados por 15 grupos e associações, entre as quais a Attac, a Greenpeace, a Oxfam e o World Wildlife Fund, tinham-se juntado em Munique com prioridades diferentes da agenda anunciada pelo G7. A Oxfam da Alemanha considerou que esta “manifestação colorida foi um claro sinal de quão forte é o desejo de muita gente de políticas políticas fundamentalmente diferentes nos países do G7”. Entre as propostas que destacam estão a criação de um programa para acabar com os combustíveis fósseis, a preservação da biodiversidade e maior investimento para acabar com a fome.

Kilian Wolter, da Greenpeace, defendeu que o uso de combustíveis fósseis deveria acabar “o mais tarde” até 2035, o que permitiria, ao mesmo tempo, combater as alterações climáticas e “parar com o financiamento de guerras e conflitos”. Por sua vez, Viviane Raddatz, do WWF, realçou que estes “velhos países industrializados com uma longa história de emissões” de gases poluentes são “responsáveis por ter causado a crise climática e portanto têm a responsabilidade de encontrar soluções que sejam aplicáveis mundialmente”.

Já Tobias Hauschild, da Oxfam, instou os governos mais poderosos do mundo a “agir imediatamente” para “lutar contra a fome, desigualdade e pobreza”. Mensagem semelhante a Friederike Meister, dirigente da Global Citizen, organização que também luta contra a pobreza, que avisou que “as mais importantes crises mundiais estão a piorar mas o dinheiro dos países ricos para ajudar à recuperação económica não reflete isso”. Para ele, o G7 deveria ter como prioridade o investimento nos países mais pobres.

No domingo cerca 800 manifestantes participaram num outro protesto em Garmisch-Partenkirchen, cidade vizinha da cimeira, contra a escalada da guerra e por medidas que contrariem a crise climática.

Esta segunda-feira, os protestos continuaram de várias outras formas. Ativistas do Greenpeace colocaram mais de 300 velas a desenhar um símbolo da paz a uma altitude de 1.600m, perto do local da cimeira.

E, numa outra ação, projetaram as mensagens “acabem com os combustíveis fósseis agora” e “G7: parem com o gás, o petróleo e o carvão já” numa montanha.

Em França, dezenas de ativistas da Attac e do Extinction Rebellion bloquearam durante várias horas a sede do FMI em Paris.

No Reino Unido, um grupo de ativistas entrou no Parlamento britânico, aí permanecendo a ocupar o espaço, de forma a exigir o cancelamento da dívida do Sul Global e o investimento na justiça climática.

Em Berlim, a manifestação foi à porta do Ministério das Finanças alemão.

O mesmo se passou, por exemplo, na Finlândia.

Numa ação não violenta de desobediência civil, em Elmau, sete ativistas ambientais foram presos. A sua libertação está a ser exigida tornando viral a hashtag #7againstG7.

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