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Festival nepalês Bhume Naach: Não só o Rock in Rio traz música e cor à Bela Vista

No passado domingo, dia 19 de junho, o parque da Bela Vista, em Lisboa, acolheu um dos festivais celebrados pelo povo Kham Magar, do Nepal. Trata-se de uma celebração à Terra, à Natureza, que é considerada a mãe e protetora que fornece abrigo, alimento e sustento para todos. Texto e fotos de Mariana Carneiro.

Pela terceira vez, o Festival Bhume Naach trouxe música, dança, cor e os sabores do Nepal ao Parque da Bela Vista. A iniciativa já ocupou este espaço em 2018 e 2019, mas, entretanto, a sua realização foi suspensa devido ao surto de covid-19.

O Bhume Naach é um dos festivais celebrados pelo povo Kham Magar. O termo Bhume significa 'Terra' e Naach significa 'dança'. Os Magar praticam uma religião que celebra a terra (bhumi puja), as nascentes de água (shim), florestas (ban puja) e o clima, pedindo melhores colheitas e gado. A Terra é considerada a mãe e protetora que fornece abrigo, alimento e sustento para todos. Bhume Naach é uma dança folclórica que, no Nepal, é realizada em torno de uma fogueira. Em Portugal, os Magar adaptam o festival às condições locais, mas fazem questão de manter as tradições e de as dar a conhecer a quem os rodeia e ao país que os acolhe. A solidariedade e a partilha estão no cerne do evento.

O festival Bhume Naach deste ano atraiu pessoas de todas as idades, muitas das quais devidamente trajadas a rigor. As vestes das mulheres destacaram-se pelas cores intensas e a utilização de inúmeros adornos. A música e a dança foram praticamente uma constante durante as cerca de sete horas de duração do evento. Após a Bhume Naach (dança da Terra) em si, houve tempo para a música do cantor nepalês Arjun Sunam. E não faltou comida para todos os que se foram juntando.

O festival foi organizado por duas associações nepalesas da comunidade Magar, a Takasera Samaj Portugal, presidida por Om Gharti, e a Magar Samaj Portugal, cujo presidente é Kamal Pun, não contando com qualquer apoio externo. Um pequeno gerador assegurou o sistema de som e a montagem e limpeza posterior do espaço foi assegurada pelos membros da comunidade nepalesa Magar.

Tanto a Takasera Samaj como a Magar Samaj Portugal têm uma quotização mensal de cinco euros, que é utilizada para apoiar membros da comunidade que estejam a passar por dificuldades, seja aqueles que estão em Portugal como os seus familiares no Nepal. Mas este contributo é apenas uma pequena parte do apoio que é prestado por estes coletivos, em que as redes de solidariedade se estendem a outros campos e fazem, muitas vezes, toda a diferença.

Os Magar são um dos grupos étnicos mais antigos do Nepal e o terceiro maior do país, depois dos Chhetri e dos Bahun. Formam 7.1% da população nepalesa, de acordo com o censo de 2011. Apesar de o Nepal ter aprovado em 2011 uma Lei Contra a Discriminação com base na Casta e de Intocabilidade, a sociedade continua a estar estruturada por castas, sendo que a etnia Magar encontra-se no grupo intermediário.

 

 

Sobre o/a autor(a)

Socióloga do Trabalho, especialista em Direito do Trabalho. Jornalista do Esquerda.net. Mestranda em História Contemporânea.
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