Ao fim de mais de dois anos no governo, o CDS assumiu publicamente uma divergência com o executivo que entrega, ao vir anunciar que se opunha ao reconhecimento do Estado da Palestina. Para o antigo deputado e dirigente centrista Raul Almeida, essa posição terá sido a gota de água que o levou a deixar de vez a organização liderada por Nuno Melo.
Segundo o Observador, que teve acesso à carta de demissão enviada ao presidente do CDS, Raul Almeida diz ter assistido “todos os dias” ao “massacre, a violação flagrante dos Direitos Humanos, a ocupação hegemónica, o atropelo gravíssimo do Direito Internacional, a morte sob as mais variadas formas de violência e desumanidade, no perpetrar dos mais diversos crimes de guerra” em Gaza, por parte de Israel.
“A absolvição ou branqueamento deste horror mancha irremediavelmente quem o faz, nega flagrantemente e agride irremediavelmente a Declaração de princípios de 19 de Julho de 1974″ do partido de que fez parte até agora e que representou na primeira visita oficial do Parlamento à Palestina, que ajudou a promover. “Sei que mensagem transmiti ao Presidente Mahmoud Abbas, em articulação com o Presidente do CDS”, refere Raul aAlmeida na carta a Nuno Melo.
Mas a divergência com o setor abertamente sionista no partido não foi a única razão para o afastamento. Raul Almeida lidera a bancada da Assembleia Municipal do movimento de Rui Moreira, que incluiu o CDS desde o início, e não gostou de ver o partido abandonar este movimento para se juntar ao PSD na candidatura de Pedro Duarte às próximas autárquicas. Almeida não acompanhou o êxodo de membros do CDS e concorre nas listas de Filipe Araújo, o atual vice-presidente da autarquia.