Após dias de negociações, o presidente grego acabou por nomear o economista Lucas Papademos, um dos nomes mais referidos desde o início da especulação sobre a eventual demissão do governo de Papandreou. O novo governo deverá contar com o apoio do PASOK, da Nova Democracia e do partido de extrema-direita LAOS para implementar o novo programa de austeridade da troika.
A reacção da esquerda não se fez esperar, com a coligação Syriza a sublinhar que convidaram o novo primeiro-ministro para "uma política que não tem legitimidade democrática", e que "o mais adequado para realizar este trabalho é alguém que não é eleito e não presta contas ao povo grego". Para Alexis Tsipras, o processo que levou à substituição do governo não passa de "uma distorção grosseira da soberania popular".
"É realmente trágico quando o acordo de 26 de Outubro já caiu com o estrondo da crise italiana, que o novo primeiro-ministro venha agora pedir novos sacrifícios", conclui o dirigente do Syriza.
Entretanto, a Itália recebeu um aviso do banco mais rentável da história de Wall Street. O Goldman Sachs, onde trabalhou Mario Monti e também Mario Draghi, recém-empossado à frente do Banco Central Europeu, diz que o prémio de risco da dívida pode baixar dos actuais 580 pontos base para os 350, caso seja nomeado um governo de tecnocratas "com prestígio internacional e capacidade", revela o jornal La Reppublica.
E é justamente Mario Monti o nome mais falado para suceder a Berlusconi, que prometeu demitir-se após a aprovação de novas medidas de austeridade. Monti apenas encontra no parlamento a oposição da Liga Norte e da Itália dos Valores, que defendem eleições antecipadas após a queda de Berlusconi.
Eurocratas passam ao comando dos governos da Grécia e Itália
10 de novembro 2011 - 17:34
Lucas Papademos, antigo vice-presidente do Banco Central Europeu, é o novo primeiro-ministro grego. Em Itália, o nome mais falado para suceder a Berlusconi é o ex-comissário europeu da Concorrência, Mario Monti, no dia em que o banco Goldman Sachs prometeu que os especuladores deixarão de pressionar a Itália se for nomeado um governo de tecnocratas.
PARTILHAR
Mário Monti, conselheiro internacional do Goldman Sachs pode ascender à chefia do governo italiano. Foto FriendsofEurope/Flickr