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EUA: Democratas viram à direita

Democratas e republicanos concordam que aumentar os impostos sobre os ricos e as corporações ou cortar gastos militares estão "fora de hipótese". Optarão por cortar ou destruir valiosos serviços sociais para os trabalhadores. Por Shamus Cooke.
Republicanos e democratas estão prontos a unir-se para atacar a Segurança Social, tal como já se uniram em inúmeras outras situações. Foto de Lil Wayne.

Na véspera da vitória dos republicanos nas eleições intercalares, foi dito aos trabalhadores que votassem nos democratas para evitarem que o "realmente perigoso" Partido Republicano tomasse o poder. Há um quê de verdade nisto: o Partido Republicano tem virado cada vez mais à direita nas últimas décadas, até chegar ao ponto em que é incapaz de falar sensatamente sobre questões políticas.

Mas em segundo lugar nesta corrida para a direita estão os democratas, que, por sua vez, passaram décadas a correr para os braços das corporações que dominam os partidos políticos sem que haja contestação.

Esta corrida louca para a direita não parou nas eleições intercalares; os democratas estão a preparar-se para lançar o seu segundo truque, escondido do público até depois das eleições.

O primeiro passo para a direita ocorreu no comentário sobre as eleições perdidas.A falsa análise dos democratas sobre a razão da derrota levá-los-á à "correcção dos seus erros".

Contrariamente a todas as provas ou ao senso comum, os democratas afirmam agora que a agenda deles estava "muito progressista" enquanto estavam no poder, e que deve ser corrigida pelo maior deslocamento para a direita.Com efeito, os democratas concordam agora com a análise do Tea Party acerca da administração Obama.

Evan Bayh, o senador democrata de Indiana, explicou esta falsa narrativa no The New York Times, no seu editorial intitulado "Onde irão os democratas a seguir?". Na sua resposta, afirma que:

"É óbvio que os democratas interpretaram mal o nosso mandato [progressivo]. Falar de um ‘realinhamento político’ e de uma ‘nova era progressista’ revelou um pensamento fantasioso.” (3 de novembro de 2010).

Bayh sugere que os democratas adoptem inúmeras políticas republicanas para compensar, como cortes nas taxas corporativas e na Segurança Social.

Obama não perdeu tempo para concordar com o Tea Party no seu discurso de concessão.Ele tinha "perdido contacto" com o povo americano, significando isto que tinha agido de forma demasiado progressista. Para compensar, Obama moveu-se para a direita, servindo as corporações de forma ainda mais obediente:

"Eu tenho de assumir a responsabilidade de deixar claro para a comunidade empresarial [Wall Street e empresas dos EUA], bem como para o país, que a coisa mais importante que podemos fazer é reforçar e incentivar o nosso sector empresarial..."

Obama também prometeu "negociar" com os republicanos sobre os cortes de impostos, políticas de energia e educação de Bush.

Obama comprometeu-se também a negociar a Segurança Social com os republicanos.A Comissão de Redução do Défice esperou propositadamente pelo término das eleições intercalares antes de anunciar as suas recomendações, que supostamente incluem cortes para a Segurança Social e para o Serviço de Saúde.

Republicanos e democratas estão prontas a unir-se para atacar a Segurança Social, da mesma forma que se uniram com as guerras Bush/Obama; com os resgates da banca Bush/Obama; com a destruição das liberdades civis Bush/Obama; com a política de educação Bush/Obama; e com o favoritismo geral das empresas sobre os trabalhadores Bush/Obama.

Ambas as partes concordam que o défice dos EUA é um problema mais grave do que a criação de empregos.Vão, portanto, unir-se para reduzir o défice, cortando ou destruindo valiosos serviços sociais para os trabalhadores, incluindo a Segurança Social, o sistema de saúde, a educação pública, e outros programas financiados pelo governo federal.Esta é a sua única opção, uma vez que ambos concordam que aumentar os impostos sobre os ricos e as corporações ou cortar gastos militares estão "fora de hipótese".

Estas políticas bi-partidárias e anti-trabalhadores irão continuar a expor os democratas como extensões dos muito ricos e das corporações.Os trabalhadores vão recusar-se a votar neste "mal menor" no futuro e exigir que o seu trabalho e grupos comunitários se movam para a independência política.

 

Tradução de Ana Bárbara Pedrosa

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