Após três anos de paragem forçada, o Acampamento Liberdade voltou a realizar-se entre os dias 27 e 31 de julho no Parque de Campismo de São Gião reunindo várias dezenas de camaradas e simpatizantes do Bloco de Esquerda de diferentes pontos do país.
Ao longo dos cinco dias do nosso acampamento ensaiamos a construção de um modelo de organização assente na autogestão e na convivência comunitária. No Liberdade, as várias tarefas necessárias ao funcionamento do acampamento são partilhadas sendo cada uma de nós igualmente responsável pelo bem-estar comum e pelo assegurar da existência de um espaço onde o machismo, o racismo e o assédio não tem lugar.
O Liberdade não é simplesmente um espaço de “fuga” de um exterior que sabemos opressor nas suas mais distintas dimensões. É, antes de mais, um espaço onde nos juntamos para debater e colocar em prática um conjunto de mecanismos e estratégias que sabemos que podem transformar o exterior e combater estas diversas opressões. Um espaço onde pensamos a luta por uma ideia e uma prática de emancipação e igualdade: o Socialismo.
Contando com a presença de várias convidadas e com uma ampla participação de todos os presentes debatemos temas como a saúde mental e o capitalismo, o presente e futuro do nosso partido, a potencialidade revolucionária do marxismo feminista e queer, a ideia do individualismo e da felicidade tóxica no liberalismo, os diversos conceitos que marcaram a história da esquerda, a posição da esquerda anti-imperialista, as estratégias da luta climática, a luta pela inscrição de uma memória anticolonial no espaço público ou o legado da Revolução do 25 de Abril de 1974. Estes são apenas alguns dos assuntos sobre os quais nos juntamos para aprender, trocar ideias e reforçar a construção daquele que é o programa político do Bloco de Esquerda.
Da programação do Liberdade fizeram ainda parte a atuação do Projeto Hellas, um coletivo de hip-hop composto por mulheres, festas temáticas e vários workshops. Dos debates às festas, passando pelos concertos e workshops não perdemos nunca de vista o horizonte transformador pelo qual lutamos diariamente. Em todas as suas vertentes, este acampamento procura ser um espaço livre de todo o tipo discriminações, em resumo, procura ser um espaço onde cada pessoa se sente respeitada por ser quem é e o que pode ser.
Um ano mais, o Liberdade assumiu-se como local privilegiado para a construção e reforço de laços de camaradagem, militância e amizade que são centrais ao reforço do nosso projeto político. Para aquelas que chegam pela primeira vez e os que repetem a sua presença, o Liberdade é sempre um momento marcante no nosso processo de formação política onde descobrimos e construímos camaradagem e, em conjunto, vivemos um lugar mais próximo do mundo que ambicionamos construir.
Os dias de campismo acabaram mas aquilo que o Liberdade representa não. Se anualmente nos juntamos neste espaço é porque daqui saímos com confiança renovada e com vontade de colocar em prática as ferramentas de luta que aqui construímos. Nas nossas escolas e faculdades, nos nossos locais de trabalho e em todos os espaços públicos a nossa tarefa é levar aquilo que o Liberdade representa: um programa socialista de transformação profunda da sociedade.
Como costumamos dizer, só quem pratica a Liberdade no seu quotidiano sabe transformá-la em proposta política, em organização para mudar a vida e construir um mundo novo. No Bloco continuaremos a fazer a luta toda!