“Desigualdades salariais continuam a ser chocantes”

10 de abril 2019 - 17:42

José Soeiro afirmou esta quarta-feira no parlamento que “os salários super-sónicos” dos gestores são ganhos “à custa do que não se paga a cada dia a quem faz verdadeiramente a riqueza das empresas”. O deputado pensa ainda que “a democracia não pode conviver com as desigualdades salariais”.

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As desigualdades salariais entre gestores e o resto dos trabalhadores são “graves e ofensivas”.

José Soeiro ilustrou esta conclusão a partir do exercício da medição do que ganham os quadros de topo das empresas em anos de trabalho dos trabalhadores que recebem ou o salário mínimo ou o salário médio.

Assim, em geral, “os presidentes executivos das maiores empresas portuguesas ganharam em média um milhão de euros e têm um salário que é 52 vezes acima dos salários dos trabalhadores dessas mesmas empresas”.

Há dois casos concretos mostram de uma maneira mais aguda a dimensão do problema. Paulo Azevedo, da SONAE, ganhou num ano o que um funcionário da sua empresa com salário médio ganha ao fim de 37 anos de trabalho. Se for um trabalhador que aufira o salário mínimo terá de trabalhar 77 anos para ganhar o mesmo que o gestor.

Na Jerónimo Martins é ainda pior: em média um trabalhador tem de trabalhar 140 anos para ganhar o que ganha Pedro Soares dos Santos num ano. “Mas se estivermos a falar de uma trabalhadora da caixa do Pingo Doce que receba o salário mínimo ela teria de trabalhar 226 anos”, afirmou o deputado, um número que são “cinco vidas inteiras de trabalho”.

José Soeiro assinala também que a tendência tem sido para aumentar esta distância: “na última década, a disparidade entre salários tem aumentado agressivamente”, disse. E a tendência de crescimento dos salários milionário nem em período de crise se altera. Soeiro acrescentou que durante o período da crise em Portugal “enquanto os salários dos trabalhadores se mantinham estagnados ou até eram cortados, os vencimentos dos gestores aumentavam 40% nas mesmas empresas”.

E se o deputado considerou ofensivas as desigualdades, também não se contenta com “a indignação verbal de ocasião” que acha que serve “ para disfarçar a falta de vontade política para tomar medidas concretas.” Soeiro criticou PS, PSD e CDS que “são cúmplices” das “desigualdades que se agudizam” e lembrou que, sobre isto, “pelo governo até agora nada foi feito”.

Em causa está o chumbo por parte destes partidos da proposta bloquista de criar uma lei que “introduzia mecanismos de transparência nos salários e a fixação de um leque salarial máximo” para combater estas desigualdades salariais.

Mas o Bloco não se fica pela proposta de estabelecer leques salariais máximos. E José Soeiro elencou um conjunto de “modos de atacar este problema” como através de “medidas fiscais, com contratação coletiva, com políticas de distribuição de riqueza e com regras sobre o funcionamento interno das empresas na fixação de salários, com a exclusão dos apoios do Estado e impedindo que estas empresas participem de arrematações”. E, esclareceu, “pela nossa parte preferimos todas” porque “quanto mais combinadas, mais eficazes estas medidas serão”.