“Da Europa não podem vir só más notícias e castigo”

12 de maio 2014 - 14:30

Marisa Matias defendeu esta segunda-feira a criação de normas europeias para a integração de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e denunciou o incumprimento da legislação nacional nesta matéria.

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“Em Portugal temos quotas de integração de pessoas portadoras de deficiência e não são cumpridas". Foto de Paulete Matos

A criação destas normas foi a última proposta que Marisa Matias fez neste mandato no Parlamento Europeu, tendo voltado a este tema na primeira ação do dia de arranque oficial da campanha para as europeias, com uma visita ao Centro de Reabilitação e Integração Torrejano, em Torres Novas.

“Infelizmente, numa questão que me parece tão evidente e tão óbvia, não foi possível obter a maioria do apoio dos deputados e não foi para a frente essa proposta. Por isso mesmo há que continuar a defender sobretudo estas pessoas que toda a gente, em particular o Governo, decidiu esquecer-se de defender", afirmou no final da visita.

Na opinião da eurodeputada, “da Europa não podem vir só más notícias e não pode só vir castigo” mas “tem que vir alguma coisa que seja positivo para a vida das pessoas”.

“Em Portugal temos quotas de integração de pessoas portadoras de deficiência e não são cumpridas. Parece que em Portugal só se cumpre o que vem de fora e portanto que venha de fora alguma norma nesse sentido para ver se se começa a cumprir aquilo que já é legislação nacional mas que ainda não está posta em prática”, sublinhou.

Marisa Matias considerou que esta é uma “questão muito importante” e que normalmente não há “quem fale” por estas pessoas.

“Nós estamos a falar de uma situação em que a integração das pessoas com deficiência no mercado de trabalho nas áreas da formação tem sido muito atacada”, criticou, denunciando que a maioria dos alunos neste centro não tem direito a bolsa.

Marisa lamentou ainda que estas populações são das que “estão a ser deixadas mais abandonadas no contexto da crise económica e social”.

Marisa Matias percorreu várias salas de formação profissional em áreas como serralharia, costura, olaria ou encadernação, tendo tido até tempo para aprender a dizer em língua gestual o seu nome.