O antigo bispo das Forças Armadas Januário Torgal Ferreira defendeu esta quarta-feira que o governo deve cair e que são necessárias eleições, numa entrevista à agência Lusa à margem de um almoço na Associação 25 de Abril.
“Com novas pessoas haveria um tratamento mais justo e mais democrático. Não excluo que o governo deve cair”, disse Januário Torgal Ferreira.
"Quando começamos a ver tanto sofrimento é preciso eleições", sublinhou, referindo-se aos cortes nos salários e nas pensões e ao desemprego. E considerou que o caminho escolhido por este governo redundou na exploração das pessoas, que aponta como as principais responsáveis por "as contas do Estado estarem mais alinhadas".
"O mérito é nosso, mas todo este tipo de pagamento tem que ser repensado e já vi que com estas pessoas é ou vai ou racha e, portanto, tem que ser com outro tipo de pessoas", disse.
Para o bispo, está na altura de mudar de políticas e de governo e, por isso, defende que "se nas eleições europeias o arco governativo não for devidamente representado em votação tem que tirar as conclusões". As próximas eleições europeias devem assim ser a prova de que os portugueses gostam da democracia.
"Estas eleições devem ser a prova de que os portugueses querem participar. Devemos mostrar que gostamos da democracia", disse.
O antigo bispo das Forças Armadas apelou à participação cívica dos portugueses nas próximas eleições europeias de maio, considerando que "a deceção e o desencanto" levam a "uma menor cultura cívica" e a que tratemos "o mais importante como menos importante".
"E, mesmo que tenha havido muito inepto, muito falhado, muito incorrigível político, muito político que não foi impoluto, muito incompetente, sobretudo muito incompetente, gente muito pouco culta e pouco adestrada na administração da coisa pública, acho que é mais um momento de darmos essa prova de que a democracia exige um tomar parte pelo voto e depois exigirmos as consequências deste voto", sublinhou.