Comissão Europeia volta a pressionar Portugal

10 de junho 2014 - 12:26

O comissário europeu dos Assuntos Económicos afirmou nesta terça-feira em Bruxelas que Portugal tem de continuar a tomar “decisões duras”, ou seja mais cortes nos salários e no Estado Social. A ministra das Finanças do governo PSD/CDS-PP, Maria Luís Albuquerque, disse que sim, enfatizando: “Temos de continuar a consolidação orçamental por muitos anos”.

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Olli Rehn disse que que Portugal tem de continuar a tomar “decisões duras”, ou seja mais cortes nos salários e no Estado Social

Num Fórum Económico que está a decorrer em Bruxelas, Olli Rehn, o famigerado comissário europeu dos Assuntos Económicos, elogiou as medidas impostas pela troika a Portugal e aplicadas pelo governo PSD/CDS-PP.

Segundo a agência Lusa, Olli Rehn, referindo-se aos cortes em Portugal nos últimos três anos , disse que foram “decisões difíceis que tiveram de ser tomadas" e, repetiu que, para consolidar aquilo que foi alcançado, será necessário continuar a tomar “decisões duras”.

Olli Rehn dirigiu-se mesmo a Maria Luís Albuquerque, para a apoiar e referir a sua “grande admiração pelas muitas decisões difíceis que tiveram de ser tomadas, e pelos esforços feitos pelo povo português, ao longo dos últimos três anos, de forma a 'dar a volta' à economia”.

Como se sabe, as medidas que o comissário saúda foram impostas pela troika, seguidas fielmente pelo governo PSD/CDS-PP e têm provocado o agravamento da pobreza e a queda da produção.

Na sua intervenção, o comissário voltou a repetir ainda que “segurar e desenvolver estes feitos continuará a envolver decisões duras”, revelando preocupação sobre a continuidade da aplicação da política da troika em Portugal.

Maria Luís Albuquerque reiterou a sua defesa da política de empobrecimento e destruição do Estado Social “por muitos anos”, afirmando: “Temos de continuar o processo de reforma, temos de continuar a consolidação orçamental por muitos anos”

A ministra das Finanças do governo português, Maria Luís Albuquerque, também interveio no fórum e mostrou-se preocupada com os mercados.

Segundo a Lusa, Maria Luís Albuquerque disse que “não se pode pensar que a crise acabou” porque os mercados financeiros parecem ter estabilizado.

“A resposta tem de ser coordenada e temos de ter em mente que - por mais que os mercados tenham estabilizado agora - não podemos fiar-nos demasiado nos mercados financeiros. Eles podem estar complacentes agora, mas vão voltar. Não podemos pensar que a crise acabou porque os mercados agora estão mais bem dispostos”, disse ainda Maria Luís Albuquerque.

A ministra das finanças considera que os problemas de Portugal são “uma população envelhecida, perda de competitividade, necessidade de reformas estruturais e uma fragmentação financeira severa” – a que acrescem “desafios adicionais por ser um país periférico”.

Sobre a Europa, Maria Luís Albuquerque defende que “esta crise demonstrou que o enquadramento institucional europeu não era suficientemente forte”.

Em resposta a uma pergunta sobre se o programa da troika foi ou não bem sucedido, Maria Luís Albuquerque afirmou que “foi um sucesso porque a economia portuguesa está muito mais robusta do que antes”.

A ministra das Finanças do governo PSD/CDS-PP disse ainda que “se as pessoas esperam que o programa resolva em três anos os erros que foram cometidos em mais de uma década, então não é que o programa não tenha sido um sucesso, isso simplesmente não é possível”.

E reiterou a sua defesa da política de empobrecimento e destruição do Estado Social “por muitos anos”. “Temos de continuar o processo de reforma, temos de continuar a consolidação orçamental por muitos anos”, afirmou Maria Luís Albuquerque.

À margem do fórum e em declarações à comunicação social portuguesa, Maria Luís Albuquerque disse ainda que o governo PSD/CDS-PP "pode ponderar a hipótese" de prescindir da última tranche dos empréstimos concedidos no quadro do programa da troika, mas que não há ainda decisões tomadas.

A ministra disse que não existem ainda negociações com a troika sobre medidas alternativas, depois dos chumbos do Tribunal Constitucional.

"Nós não estamos a negociar nada. Nós estamos a ponderar o que é que pode ser feito em termos de programa. Mas, como já foi dito, nós ainda não conhecemos a dimensão do problema para podermos encontrar uma solução. Portanto, nesse sentido, não podemos negociar solução nenhuma", disse, reforçando que "não há nenhuma solução em cima da mesa".

Maria Luís Albuquerque salientou também: "Os nossos compromissos em termos de metas não são só no âmbito do programa, são também no âmbito do tratado orçamental".