No dia em que se assinalam os 50 anos da morte de Ernesto Che Guevara, republicamos os artigos de um dossier do Esquerda.net dedicado ao guerrilheiro, pensador marxista e figura central da Revolução Cubana. A sua acção e as suas reflexões marcaram incontornavelmente a história do século XX. Hoje, mantém-se controversamente como um herói revolucionário, ícone da esquerda e inspiração para a mudança e justiça social.
Che Guevara chegou à Bolívia, clandestinamente, em Novembro de 1966. Na altura, este país da América-Latina encontrava-se sob o jugo de uma ditadura militar, chefiada por René Barrientos. Depois de uma longa e mal sucedida campanha na selva boliviana (durante a qual os guerrilheiros acabaram derrubados pelas tropas do governo, depois de implacavelmente perseguidos e muitas vezes denunciados, falhando na busca do apoio dos camponeses pressionados pelo exército e pela fome, e não contando com o apoio do Partido Comunista Boliviano, então liderado por Mario Monje), a sua "revolta" na Bolívia acabou abruptamente. A 7 de outubro de 1967, Che e os membros sobreviventes de seu grupo foram emboscados e capturados. Dois dias depois, no dia 9 de outubro, Che Guevara foi mandado executar pelo exército boliviano, que agia sob ordens e o treinamento da CIA. Tinha 39 anos.
Começamos com um completo documentário biográfico, Che Guevara - Hasta la Victoria Siempre, de Ferruccio Valerio (Parte 1 e Parte 2). Em “A memória e a tradição dos oprimidos”, o filósofo Michael Löwy resgata o pensador inovador do marxismo latino-americano. Numa entrevista, a cubana Celia Hart fala sobre o recém-publicado livro de Che, Apontamentos Críticos ao Manual de Economia Política da URSS, que permaneceu inédito por quase 40 anos. O coordenador do MST do Brasil, João Pedro Stédile, escreve sobre o legado de Guevara, e a filha, Aleida, recorda o pai nos seus Diários de Motocicleta. Numa suprema ironia da história, o soldado que, há 50 anos, matou Che Guevara recuperou a visão graças a uma equipa de médicos cubanos. Sugerimos ainda uma selecção de vídeos e links.
Por fim, incluímos originalmente três últimas sugestões, para ver e para ler: o filme de Steven Soderbergh, CHE (2008), com Benicio Del Toro a interpretar o papel de Ernesto Che Guevara. Este longo filme, dividido em duas partes, baseia-se sobretudo nos dois textos-diários que o guerrilheiro escreveu em dois períodos fundamentais do seu percurso, publicados e disponíveis em tradução portuguesa, a saber, Che, o Argentino. Relatos da Revolução Cubana (Tinta da China, 2009) e Che - Guerrilha. Diário da Bolívia (Tinta da China, 2009).