No final da manifestação que juntou muitos milhares de pessoas em Lisboa, o líder da CGTP assumiu o compromisso da central sindical de voltar a resistir à tentativa de destruir a contratação coletiva, tal como aconteceu há mais de dez anos, na altura das revisões do código laboral no Governo Barroso/Portas.
Arménio Carlos denunciou no seu discurso que “o Governo e o grande patronato estão unidos na tentativa de destruir a contratação coletiva”, eliminando as normas mais favoráveis conquistadas nas últimas décadas e “decretando na secretaria a tentativa para a sua caducidade antecipada”, nomeadamente nos cortes do valor do trabalho extraordinário, “para por esta via promover uma nova redução dos salários a todos os trabalhadores”.
“Exigimos os 515 euros já a 1 de junho de 2014. Os trabalhadores estão a ser roubados há 1215 dias, desde que o anterior e o atual Governo fizeram tábua rasa do acordo em concertação social”
O líder da CGTP apresentou também o aumento do salário mínimo como uma das prioridades de ação da central sindical “Exigimos os 515 euros já a 1 de junho de 2014. Os trabalhadores estão a ser roubados há 1215 dias, desde que o anterior e o atual Governo fizeram tábua rasa do acordo em concertação social”, recordou Arménio Carlos, antes de avisar os presentes que “o salário mínimo nacional não é moeda de troca para nada e muito menos para dar cobertura à destruição da contratação coletiva e à redução dos salários”, como pretendem Governo e patrões.
A luta pelo aumento do salário mínimo irá passar por “greves, paralisações e manifestações na semana de 26 a 31 de maio, altura em que se assinala os 40 anos da implementação do salário mínimo em Portugal”. No mês seguinte, terão lugar duas grandes manifestações, a 14 e 21 de junho, no Porto e em Lisboa, respetivamente.
“Para eles, a verdade de ontem é a mentira de hoje”
“O DEO tem lá um cheque de 600 milhões de euros, que é o que vamos pagar a mais em 2015 pelos juros da dívida. Aqui é que era de cortar e eliminar as gorduras do Estado e não roubar nos salários e nas pensões”
Na intervenção de Arménio Carlos não faltaram referências à apresentação do Documento de Estratégia Orçamental, que “deita por terra o discurso do falso otimismo” do Governo. “Há dias juravam que o aumento dos impostos não ia acontecer”, lembrou o dirigente sindical criticando também o aumento do IVA. “O IVA do gás e eletricidade é o mesmo dos carros de luxo e jóias. Isto não é solidariedade, isto é roubo organizado aos trabalhadores e às famílias”, acusou Arménio Carlos.
“Mudam o nome da Contribuição Extraordinária de Solidariedade, mas ficam os cortes”, acrescentou o líder da CGTP, desmentindo as palavras de Mota Soares quando disse que os reformados iam reconquistar poder de compra: “Nada mais falso. As comparações não se fazem com a devolução de dez ou vinte euros por mês, mas em relação àquilo que era a pensão de reforma destes homens e mulheres em 2011”.
“O DEO tem lá um cheque de 600 milhões de euros, que é o que vamos pagar a mais em 2015 pelos juros da dívida. Aqui é que era de cortar e eliminar as gorduras do Estado e não roubar nos salários e nas pensões”, defendeu Arménio Carlos. “O anunciado sucesso da troika e do Governo PSD/CDS é proporcional ao empobrecimento decorrente duma política que mergulhou o país a maior recessão da sua história recente”, resumiu, criticando ainda as referências à ‘saída limpa’ do memorando: “Já sabemos o que Passos Coelho dirá no domingo, com o regresso aos mercados e a saída limpa. Não pode haver uma saída limpa com um Governo e uma política tão suja. Está na hora de mandar embora este Governo, porque ele está a pôr em causa o país, os trabalhadores e as condições de trabalho de vida das suas famílias”.
Mayday Lisboa: “O que faz falta é pô-los a andar"
[caption align="left"]
Mayday Lisboa desceu o Chiado para se juntar à manifestação da CGTP. Foto Precários Inflexíveis[/caption]
Centenas de manifestantes integraram o cortejo do Mayday Lisboa que mais uma vez convergiu com a manifestação da CGTP. “Sem resposta, a austeridade é infinita”, avisava a faixa que encabeçava a saída da concentração do Largo de Camões, depois das intervenções de ativistas da Apre!, ComuniDária, estudantes do Artigo 74 e trabalhadores da Linha Saúde 24.
“Não há saídas limpas” foi a ideia principal que quiseram deixar neste 1º de Maio, a poucos dias de Passos Coelho apresentar como uma vitória o processo de destruição social em curso, disse Sara Simões, dos Precários Inflexíveis, ao esquerda.net. Animado pelo som dos Ritmos da Resistência, que também integraram o cortejo, o Mayday Lisboa reuniu uma vez mais vários grupos de trabalhadores precários e desempregados em luta contra “a política de desgraça social” em curso.
UGT quer mobilização contra o “esbulho de direitos”
"Ficámos ontem estupefactos com a apresentação do documento de estratégia orçamental. Como é possível pensar sequer em aumentar o IVA? Será para dar a machadada final no setor da restauração?”
Nas comemorações do 1º de Maio da UGT em Lisboa, Carlos Silva contestou o anúncio do aumento do IVA e da taxa social única dos trabalhadores. "Se nunca puseram em causa a nossa disponibilidade para o diálogo, queremos afirmar que essa disponibilidade também se irá verificar na mobilização dos trabalhadores para a luta contra o esbulho de direitos", afirmou o líder da UGT, citado pela agência Lusa.
"Ficámos ontem estupefactos com a apresentação do documento de estratégia orçamental. Como é possível pensar sequer em aumentar o IVA? Será para dar a machadada final no setor da restauração?”, questionou, sublinhando que o anúncio do aumento do IVA e da TSU na véspera do 1º de Maio mostra que o Governo do PSD/CDS "está com vontade de confrontar os portugueses".
Quanto à troca de nome do imposto sobre os reformados, Carlos Silva diz que a medida “transforma o transitório em definitivo e mantém a gravidade dos cortes nas pensões" e espera que o Tribunal Constitucional “reponha a verdade” em relação à Contribuição Extraordinária de Solidariedade hoje em vigor.