CGTP: Eleições deram o “segundo cartão vermelho” ao Governo

27 de maio 2014 - 0:28

O secretário-geral da CGTP desafiou Cavaco Silva a assumir “um papel mais do que de cumplicidade com a política do Governo”, demitindo-o após a derrota do PSD/CDS no domingo.

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No primeiro dia da semana de luta promovida pela CGTP, Arménio Carlos contactou trabalhadores do complexo Grundig, em Braga.

Arménio Carlos falou aos jornalistas no primeiro dia da jornada de luta marcada para esta semana pela central sindical, comentando o resultado das eleições europeias que no seu entender foi o "segundo cartão vermelho" ao Governo no espaço de "poucos meses”.

Face à "maior derrota verificada em todas as eleições do CDS e PSD coligados”, o líder da CGTP defendeu que o Presidente da República deve assumir “um papel mais do que de cumplicidade com a política do Governo, deve ter um papel de afirmação da Constituição”. E deixou no ar uma pergunta para Cavaco Silva: "o que é que falta mais para que o Governo seja demitido e possamos ir a votos?”.

“Um Governo rejeitado de forma tão esmagadora não pode continuar em funções. É preciso respeitar o sentido de voto dos portugueses e a Constituição da República Portuguesa, o que passa, necessariamente, pela demissão imediata do Governo”, afirmou em comunicado a central sindical, apelando a participação nas manifestações de 14 e 21 de junho, no Porto e em Lisboa, para exigir a demissão do Governo e a realização de eleições legislativas antecipadas.

“Conversar mais uma vez sobre o salário mínimo nacional para servir de pretexto para deixar tudo na mesma, com a CGTP não contam", concluiu Arménio Carlos

Sobre o encontro marcado com o Governo esta semana para discutir o salário mínimo, a CGTP reafirma a rejeição de propostas como a redução do período dos contratos coletivos de trabalho e prolongamento dos períodos de trabalho extraordinário, denunciando que "está em marcha uma tentativa cirúrgica para liquidar a contratação coletiva" por parte de patrões e Governo.

“Conversar mais uma vez sobre o salário mínimo nacional para servir de pretexto para deixar tudo na mesma, com a CGTP não contam", concluiu Arménio Carlos, citado pela Lusa, lembrando que "há um acordo que foi celebrado e não foi cumprido pelas federações patronais e também pelo Governo”.

“Se, por ventura, as confederações patronais, em conjunto com o Governo, persistirem em protelar a decisão [de aumentar o salário mínimo] ", a CGTP vai "reclamar, de acordo com aquilo que a própria lei estabelece, que seja o Governo a atualizar de imediato o salário mínimo nacional, a partir de 1 de junho para 515 euros”, avisou o sindicalista. A semana de luta promovida pela CGTP vai prosseguir até 31 de maio com greves, plenários e manifestações pelo aumento do salário mínimo e contra os bloqueios à contratação coletiva.