Arménio Carlos falou aos jornalistas no primeiro dia da jornada de luta marcada para esta semana pela central sindical, comentando o resultado das eleições europeias que no seu entender foi o "segundo cartão vermelho" ao Governo no espaço de "poucos meses”.
Face à "maior derrota verificada em todas as eleições do CDS e PSD coligados”, o líder da CGTP defendeu que o Presidente da República deve assumir “um papel mais do que de cumplicidade com a política do Governo, deve ter um papel de afirmação da Constituição”. E deixou no ar uma pergunta para Cavaco Silva: "o que é que falta mais para que o Governo seja demitido e possamos ir a votos?”.
“Um Governo rejeitado de forma tão esmagadora não pode continuar em funções. É preciso respeitar o sentido de voto dos portugueses e a Constituição da República Portuguesa, o que passa, necessariamente, pela demissão imediata do Governo”, afirmou em comunicado a central sindical, apelando a participação nas manifestações de 14 e 21 de junho, no Porto e em Lisboa, para exigir a demissão do Governo e a realização de eleições legislativas antecipadas.
“Conversar mais uma vez sobre o salário mínimo nacional para servir de pretexto para deixar tudo na mesma, com a CGTP não contam", concluiu Arménio Carlos
Sobre o encontro marcado com o Governo esta semana para discutir o salário mínimo, a CGTP reafirma a rejeição de propostas como a redução do período dos contratos coletivos de trabalho e prolongamento dos períodos de trabalho extraordinário, denunciando que "está em marcha uma tentativa cirúrgica para liquidar a contratação coletiva" por parte de patrões e Governo.
“Conversar mais uma vez sobre o salário mínimo nacional para servir de pretexto para deixar tudo na mesma, com a CGTP não contam", concluiu Arménio Carlos, citado pela Lusa, lembrando que "há um acordo que foi celebrado e não foi cumprido pelas federações patronais e também pelo Governo”.
“Se, por ventura, as confederações patronais, em conjunto com o Governo, persistirem em protelar a decisão [de aumentar o salário mínimo] ", a CGTP vai "reclamar, de acordo com aquilo que a própria lei estabelece, que seja o Governo a atualizar de imediato o salário mínimo nacional, a partir de 1 de junho para 515 euros”, avisou o sindicalista. A semana de luta promovida pela CGTP vai prosseguir até 31 de maio com greves, plenários e manifestações pelo aumento do salário mínimo e contra os bloqueios à contratação coletiva.