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Carta Aberta quer museu da resistência ao fascismo no Porto

Entre ex-presos políticos, pessoas da área da cultura, investigadores e historiadores são 50 as pessoas que se juntaram numa carta aberta para exigir a criação de um museu da resistência ao fascismo no edifício que era a antiga sede da PIDE no Porto.
Antiga sede da PIDE no Porto.
Antiga sede da PIDE no Porto. Foto de JotaCartas/wikicommons.

Um documentário, um projeto de resolução na Assembleia da República e agora uma carta aberta. Estes são os meios que estão a ser utilizados para promover a iniciativa que visa tornar a antiga sede da PIDE no Porto num “lugar de memória do anti-fascismo”.

A última destas iniciativas é promovida pelo deputado Luís Monteiro e pelo antigo deputado municipal no Porto e ex-preso político José Castro. E foi subscrita por outros ex-presos políticos e várias personalidades da área da cultura, músicos, escritores, atores, investigadores e historiadores.

Estas cinquenta pessoas juntam-se para apelar à criação deste museu uma vez que “é um imperativo preservar a memória coletiva da luta contra o fascismo na cidade do Porto e em todo o norte do país”, uma memória que “não tem ainda um espaço museológico adequado, algo que pode ser colmatado” com este novo museu a que pretendem chamar, o Museu da Resistência e da Liberdade”.

Para justificar a sua causa, invocam a comemoração dos 45 anos da Revolução do 25 de abril e lembram que foi recentemente inaugurado o Museu da Resistência e Liberdade no Forte de Peniche que se juntou assim ao já existente Museu nas antigas instalações do Aljube, em Lisboa.

Para além da criação deste museu dedicado à memória da resistência ao fascismo, os subscritores da carta aberta propõem ainda “novas instalações dignas para o Museu Militar do Porto”. O espaço que tinha sido a sede da PIDE/DGS no Porto é inadequado para esta finalidade, não podendo, por exemplo, albergar as peças maiores que seria suposto exibir neste âmbito. Sugerem assim a sua deslocalização o que melhoraria as suas condições.

Fazer na Rua do Heroísmo um museu dos resistentes

José Castro, ex-preso político e integrante do movimento “Não Apaguem a Memória”, há muito que tem dado a cara por esta causa. Aliás, enquanto membro do Bloco na Assembleia Municipal do Porto tinha já levado esta ideia a votação.

Castro lembra também que o movimento “Não Apaguem a Memória” foi constituído para assegurar que não se perdesse a memória do que aconteceu na sede da PIDE na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, quando o edifício foi ameaçado por um grande projeto imobiliário. No Porto, este mesmo movimento desde sempre assumiu a bandeira de preservar a memória do que aconteceu nas instalações da Rua do Heroísmo.

O ex-preso político sugere ainda criação de uma rede que ligue os vários núcleos museológicos sobre a resistência anti-fascista já existentes com aquele que se pretende criar. José Castro defende que esta seria a melhor forma de preservar a memória do que aconteceu aos milhares de presos que passaram por aquelas instalações mas também de fazer pedagogia para as futuras gerações e de promover a investigação para que se conheça melhor o que foi o salazarismo. Por tudo, isto José Castro reafirma que não só é “oportuno” aproveitar a comemoração dos 45 anos do 25 de abril para criar este museu como é “desejável” fazê-lo para que não se apague a memória.

Subscreveram a carta aberta, por ordem alfabética:

  1. Adelaide Teixeira – Atriz

  2. Alda de Sousa – Investigadora

  3. Alexandre Alves Costa – Arquiteto

  4. Alice Duarte – Antropóloga

  5. Ana Deus – Música (Três Tristes Tigres, BAN)

  6. Ana Luísa Amaral – Escritora

  7. Ana Sofia Ferreira – Investigadora

  8. António Capelo – Ator

  9. Avelino Azevedo – Professor; Presidente da CNAPEF

  10. Capicua – Música

  11. Celso Cruzeiro - Advogado

  12. Cláudio Torres - Arqueólogo

  13. Diana Andringa – Jornalista

  14. Domicília Costa – Resistente Antifascista

  15. Elísio Teixeira – Movimento “Não Apaguem a Memória”

  16. Fernando Rosas – Historiador

  17. Francisco Fanhais - Músico

  18. Gaspar Martins Pereira – Historiador

  19. Helena Pato – Professora aposentada

  20. Jacinta Bugalhão – Arqueóloga

  21. João Teixeira Lopes – Sociólogo

  22. Joel Cleto – Historiador (Porto Canal)

  23. Jorge Campos – Cineasta

  24. Jorge Carvalho (Pisco) – Ex-preso político

  25. José Castro – Ex-preso político; Movimento “Não Apaguem a Memória”

  26. José Mário Branco – Músico

  27. Júlio Machado Vaz – Médico

  28. Luís Farinha – Diretor do Museu do Aljube

  29. Luís Monteiro – Museólogo

  30. Luís Raposo – Arqueólogo, Presidente do ICOM Europa

  31. Luís Tavares - Engenheiro

  32. Manuel Loff – Historiador

  33. Maria Alice Samara – Historiadora

  34. Maria Rodrigues – Ex-presa política

  35. Mário Brochado Coelho – Advogado

  36. Miguel Cardina – Historiador

  37. Miguel Cerqueira – Músico (Trabalhadores do Comércio)

  38. Miguel Guedes – Músico (Blind Zero)

  39. Pedro Lamares – Ator

  40. Raúl Simões Pinto - Escritor

  41. Richard Zimler – Escritor

  42. Rui Bebiano – Investigador

  43. São José Lapa – Atriz

  44. Sérgio Godinho – Músico

  45. Sérgio Valente – Fotógrafo; Ex-preso político

  46. Serjão – Músico (Trabalhadores do Comércio)

  47. Siza Vieira – Arquiteto

  48. Sousa Dias – Filósofo

  49. Souto Moura - Arquiteto

  50. Zélia Afonso – Resistente antifascista

Pode ler o Projeto de Lei do Bloco aqui.

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