"Esta não é altura para especular sobre uma reestruturação da dívida que não está sobre a mesa, não é necessária do nosso ponto de vista, não é necessária do ponto de vista do Governo e não é necessária do ponto de vista dos mercados", sublinhou Simon O'Connor esta quarta-feira no encontro diário com os jornalistas em Bruxelas.
O porta-voz do comissário dos Assuntos Económicos Olli Rehn defendeu o programa da troika, lembrando que "há apenas dez dias, a missão reviu em alta na 11ª avaliação as perspectivas de crescimento para 2014 e 2015", pouco depois dos dados do Instituto Nacional de Estatística sobre o crescimento económico terem registado uma queda de 1,4% do PIB português no ano passado.
Simon O'Connor disse ainda aos jornalistas que "é muito importante que o primeiro-ministro português tenha indicado ontem que não partilha de todo esta visão" subscrita pelas 74 personalidades que defendem a reestruturação da dívida portuguesa para evitar a continuação da sangria económica aplicada à população portuguesa com os juros da dívida bem acima do crescimento da economia.
Passos Coelho diz que cortes de salários e pensões continuam no pós-troika
Numa conferência realizada em Lisboa sobre "Portugal no pós-troika", o primeiro-ministro voltou a afirmar que os salários e pensões não regressarão aos níveis de 2011. "Não podemos repor automaticamente os níveis salariais que as pessoas auferiam no início da crise, isto parece-me evidente", afirmou Passos Coelho, citado pelo portal Dinheiro Vivo. No Documento de Estratégia Orçamental para os próximos anos, que Passos vai submeter à avaliação da troika em Abril, os cortes nos salários e pensões dos portugueses, apresentados inicialmente como "temporários" e "extraordinários", serão a regra do Governo PSD/CDS depois do fim do período de vigência do atual memorando. Para Passos Coelho, a reposição do valor dos salários antes destes cortes seria "voltar a reabrir um problema orçamental que nós não queremos reabrir".
"Quando nós dizemos que uma determinada medida tem carácter permanente, isso significa que só podemos pensar em voltar em fazer crescer esses rendimentos na medida em que a recuperação da economia o permita", acrescentou o primeiro-ministro, antes de tentar explicar que uma medida considerada permanente não quer dizer que "vai ser para todo o sempre, que mais ninguém vai ter salários aumentados na área pública".
Passos Coelho voltou a atacar os subscritores do manifesto "Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente", dizendo que "isso está totalmente fora de questão e espanta-me como é que gente tão bem informada suscita essas questões numa altura em que estamos a regressar a mercado com níveis de confiança como já não tínhamos há vários anos e quando estamos, ao mesmo tempo, a conseguir a mostrar um nível de crescimento da economia como não temos há mais de 12".