Boatos sobre crise bancária são arma contra a Grécia

19 de junho 2015 - 12:18

Dúvidas sobre eventuais dificuldades dos bancos gregos foram lançadas durante a reunião do Eurogrupo. Ex-secretário-geral do Departamento de Finanças da Irlanda denuncia que a arma dos relatos anónimos foi usada para empurrar a Irlanda em 2010 a aceitar o resgate do FMI/UE.

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Uma saída de 2 mil milhões de euros de depósitos em apenas três dias “é sinal de desconfiança", disse Dijsselbloem.
Uma saída de 2 mil milhões de euros de depósitos em apenas três dias “é sinal de desconfiança", disse Dijsselbloem.

O clima de tensão que persistiu em toda a reunião do Eurogrupo desta quinta-feira atingiu o seu ponto máximo, com o próprio presidente do Eurogrupo, o socialista holandês Jeroen Dijsselbloem, e a diretora do FMI, Christine Lagarde, a comandar os ataques ao governo grego.

Para o ministro holandês, o povo grego precisa de um acordo que "restaure a confiança", sublinhando que houve uma saída de 2 mil milhões de euros de depósitos em apenas três dias, o que “é sinal de desconfiança”.

A agência Reuters publicou um despacho em que atribuía a um diretor executivo do Banco Central Europeu, Benoit Coeure, dúvidas sobre se os bancos gregos teriam capacidade de abrir na segunda-feira. Segundo a agência, Coeure teria respondido: “Amanhã, sim, segunda-feira não sei” à pergunta de Dijsselbloem sobre se os bancos gregos iriam conseguir abrir.

Numa situação delicada como a que vive a Grécia, uma frase como esta é um verdadeiro apelo à corrida aos bancos.

Perto de acidentes

Confrontado com estas afirmações, Varoufakis disse: “Acredito que o povo grego é calmo. Ele entende que este é um período difícil, mas tem confiança na Europa e no governo grego para saber que construímos um terreno comum que nós europeus temos de garantir que... não acontecem acidentes". E acrescentou: “Estamos perigosamente perto de um estado de espírito que aceita um acidente. Disse aos meus colegas para não aceitarem esse pensamento".

Irlanda foi empurrada para o resgate com boatos

Nesta mesma quinta-feira, Kevin Cardiff, ex-secretário-geral do Departamento de Finanças da Irlanda, denunciou que o governo irlandês, em 2010, foi empurrado a aceitar o plano de resgate através de frases assassinas ditas por fontes anónimas: “briefings de imprensa anónimos, supostamente oriundos de fontes oficiais, agiam de forma a acelerar as pressões do mercado e criar enormes pressões sobre a Irlanda para entrar no programa do FMI/UE – rapidamente.”

Os bancos gregos abriram normalmente esta sexta-feira. Segunda-feira o Eurogrupo irá reunir-se de emergência para discutir a crise da Grécia.