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Bloco questiona Medina sobre os 11 milhões para a Web Summit virtual

O vereador bloquista Manuel Grilo defende que a fatia do contributo da autarquia lisboeta seja este ano destinada ao apoio às empresas em dificuldade na capital. Paddy Cosgrave anunciou que a Web Summit de Lisboa terá concorrente no Brasil em 2022.
Paddy Cosgrave
Enquanto recebe os apoios públicos em Portugal por uma cimeira virtual, Paddy Cosgrave já prepara uma conferência concorrente à de Lisboa em 2022. Foto Web Summit/Flickr

Este ano a Web Summit realiza-se online, mas a empresa de Paddy Cosgrave não abdica de receber os 11 milhões de euros contratualizados com o Governo e a Câmara Municipal de Lisboa. Quanto ao impacto estimado pelo Governo de 300 milhões de euros na economia do país por cada ano da Web Summit em Lisboa, em 2020 será próximo de zero.

Neste contexto, o vereador bloquista Manuel Grilo questionou esta semana o Presidente da autarquia sobre este investimento que “este ano não significa qualquer retorno para Lisboa ou para país”, e numa altura em que os setores da restauração, comércio e cultura reclamam que “as medidas que o Governo tem posto em prática são muito insuficientes”.

“Só em Lisboa estima-se que existiam 150 mil pessoas a trabalhar na área do turismo e que, de um momento para outro, perderam tudo. Na Baixa já fecharam dezenas de lojas, os comerciantes do Bairro Alto estão em agonia e já há grupos informais de trabalhadores da cultura a recolher comida para quem montava os espetáculos da EGEAC”, refere o requerimento dirigido a Fernando Medina.

Em alternativa ao pagamento do valor previsto no contrato, a situação excecional que o mundo vive deve permitir negociar com a empresa organizadora do evento “uma alteração contratual, designadamente para redução do valor a transferir, por forma a que esse montante seja alocado ao apoio a empresas em dificuldade na cidade de Lisboa”, defende o vereador Manuel Grilo. Dos 11 milhões de apois públicos, a autarquia avança com 3 milhões através da Associação de Turismo de Lisboa. São receitas provenientes da taxa turística, também ela em forte queda devido à pandemia.

Por outro lado, a vereação do Bloco questiona o atraso no investimento previsto para a expansão do parque de exposições da FIL, também ele incluído no contrato e cuja conclusão estava calendarizada para 2022. “Terminou no passado mês de outubro o prazo para a Câmara de Lisboa e a Fundação AIP chegarem a acordo sobre as obras de requalificação da FIL, no Parque das Nações, mas segundo a Comunicação Social, as negociações nem sequer foram encetadas”, refere o requerimento, alertando para uma possível violação do contrato celebrado com a organização do evento daqui a dois anos.

Também em 2022, anunciou Paddy Cosgrave esta semana nas redes sociais, Lisboa deixará de ter o exclusivo das conferências Web Summit. O país escolhido para a conferência na América do Sul foi o Brasil e o empresário irlandês irá agora escolher a cidade que lhe oferecerá as melhores vantagens em troca da realização do evento. “Rio de Janeiro ou Porto Alegre?” pergunta Cosgrave.

 

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