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BES: New York Times aponta o dedo à troika por falhar supervisão

Em editorial, o diário norte-americano diz que a economia europeia não vai recuperar enquanto a saúde do sistema financeiro for disfarçada através de "testes de stress" que não passam de uma pura formalidade.
Editorial do New York Times publicado esta quinta-feira na edição em papel.

O editorial desta quinta feira do New York Times intitula-se "O desastre da banca portuguesa" e começa por apontar que o resgate do governo de um dos maiores bancos portugueses é "uma lição para o fracasso regulatório e a forma descuidada que os responsáveis europeus assumiram para corrigir o seu problemático sistema bancário".

Para além do "fracasso dos responsáveis portugueses que tinham a responsabilidade principal pela supervisão do banco", o New York Times acrecsenta que "a Comissão Europeoa, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional partilham as culpas,

Para além do "fracasso dos responsáveis portugueses que tinham a responsabilidade principal pela supervisão do banco", o New York Times acrecsenta que "a Comissão Europeoa, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional partilham as culpas, uma vez que estavam intimamente envolvidos no sistema económico e financeiro português nos últimos três anos". Pior ainda, "em maio, as três organizações disseram que «a capitalização dos bancos foi fortalecida significativamente» em Portugal, o que sugere que eles estavam abertamente otimistas sobre o progresso que tinha sido feito".

O editorial termina por deixar o alerta sobre a supervisão que o Banco Central Europeu vai passar a ter ainda este ano sobre os maiores bancos da zona euro, tomando o poder até agora nas mãos dos reguladores nacionais. Depois da queda do Banco Espírito Santo, poderão levantar-se dúvidas sobre os resultados dos "testes de stress" de 128 bancos europeus, que o BCE irá publicar em outubro.

"O banco central tem de assegurar-se que este exercício não será um checkup pró-forma que torna fácil aos bancos fazerem boa figura e esconder os seus problemas, como parece ter sido o caso do BES", acrescenta o editorial do influente diário estadunidense. "A economia europeia não vai recuperar enquanto o seu sistema bancário não for verdadeiramente saudável", conclui.

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