Os dados da execução orçamental dos oito primeiros meses do ano confirmam bem aquilo a que o ex-ministro das Finanças apelidou de "enorme aumento de impostos". A receita do IRS subiu 30%, mas o dinheiro que os trabalhadores pagaram a mais este ano foi parar quase todo aos bolsos dos credores da troika. Segundo relata o jornal i, só até agosto o Estado português pagou à troika 1263 milhões (mais 75,6% do que em igual período de 2012) só em juros pelos empréstimos do FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, garantindo os lucros das três instituições à custa do apertar do cinto dos portugueses.
Se a receita com o IRS disparou 30%, o mesmo não aconteceu com o conjunto dos impostos indiretos, que registaram uma queda de 5,2% em relação a igual período do ano passado. Para o líder parlamentar bloquista, “os dados agora conhecidos relativos ao mês de agosto dão conta do nó górdio da economia portuguesa”, uma vez que “o Governo, insistindo na austeridade, não consegue alcançar nenhum tipo de equilíbrio nas contas públicas, mantendo muito dos factores de pressão e criando alguns dos novos que vão agora sendo identificados”.
Em declarações à agência Lusa, Pedro Filipe Soares defendeu ainda que “estes dados demonstram que a austeridade não está a trazer equilíbrio às contas públicas, antes está a trazer novos problemas, não traz soluções, só novas complicações”. A dívida direta do Estado não parou de aumentar, tendo subido no último mês 10,4%, ascendendo agora a 207,4 mil milhões de euros.
A quebra nos impostos indiretos nota-se no IVA - o imposto indireto que mais receita recolhe - que continua em queda, registando menos 2,1%, ou seja, perdendo 180,8 milhões de euros em relação ao ano passado. O imposto sobre os combustíveis também recuou 3,6%, a tributação dos veículos caiu 11,3% e o imposto sobre o tabaco não fugiu à regra, com uma queda avaliada em 4,9%.