Segundo os dados provisórios obtidos através do Inquérito sobre os Rendimentos e Condições de Vida da população portuguesa, realizado no ano passado pelo Instituto Nacional de Estatística, “considerando apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 43,4% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza em 2009”.
O mesmo inquérito refere que “o contributo das transferências sociais reduziu em 8,5 pontos percentuais a proporção da população em risco de pobreza, significando um aumento deste contributo face ao ano anterior (cerca de 6,5 pontos percentuais) ”.
Entre a população mais idosa, a taxa de risco de pobreza sofreu um agravamento, subindo para 21%, contra os 20,1% de 2008. Entre a população desempregada, esta percentagem ascende a 36,4%.
Tal como se tem vindo a registar em anos anteriores, são os agregados constituídos por um adulto que vive sozinho com pelo menos uma criança dependente aqueles que registam uma maior taxa de risco de pobreza (37,0%), seguidos dos agregados constituídos por um adulto que vive sozinho (30,1%), e por dois adultos com três ou mais crianças (33,2%).
Em 2010, a dificuldade de acesso dos portugueses a determinados bens e serviços também se agudizou. 22,5% dos indivíduos residentes em Portugal viviam em situação de privação material, com uma diferença de mais um ponto percentual face ao valor de 21,5% registado no inquérito de 2009.