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Angola: 300 manifestantes presos no protesto de sábado

Polícia reconhece a morte de um jovem dirigente da CASA-CE, mas afirma que não houve excesso de força. Fotografia divulgada pelo site Clube-K indica que terá havido outro manifestante morto na repressão aos protestos convocados pela Unita devido à morte dos ativistas Cassule e Kamulingue.
Foto divulgada pelo Clube-K mostraria um segundo morto nas manifestações.

A polícia angolana deteve mais de 300 pessoas na véspera e durante a manifestação convocada pela UNITA no último dia 23. O subcomissário Aristófanes dos Santos anunciou que, além das detenções, a polícia apreendeu “13 viaturas, 11 baldes de cola branca, 49 camisolas, 951 panfletos, duas escadas e igual número de máquinas fotográficas”, de acordo com o site informativo Clube-K.

O porta-voz da polícia disse ainda que na madrugada do dia 23 de novembro “registou-se a violação do perímetro de segurança do Palácio Presidencial” por um grupo de oito militantes da CASA-CE, o segundo mais importante partido da oposição, que colava cartazes de propaganda “subversiva de carácter injurioso ao Estado e aos seus dirigentes”. Na verdade, os cartazes convocavam a manifestação. Agentes da Guarda Presidencial prenderam então os jovens e, “durante a transferência do referido grupo para o comando, a fim de ser presente ao oficial em serviço que os encaminharia para a polícia, um dos elementos do grupo, incitado pelos seus companheiros, intentou a fuga, saltando da viatura e, em reação, um efetivo da Guarnição fez disparos atingindo-o mortalmente”.

O militante morto é o engenheiro e professor Manuel de Carvalho, “Ganga”, que pertencia ao secretariado de organização do partido.

Uma fotografia divulgada pelo Clube-K mostra uma pessoa caída que poderá ser um segundo morto durante a manifestação. A polícia, porém, nega que tenha havido excesso de força. "Em circunstância nenhuma usamos a força excessiva, até porque não houve necessidade para tal, porém, houve força moderada, tanto é que rapidamente conseguimos controlar as situações", disse o subcomissário da polícia.

A UNITA afirmou que os manifestantes eram ordeiros e pacíficos, e que foram as forças policias, cuja ação mobilizou forças terrestres, a cavalo, com carros, canhões de água, cães e acompanhadas de helicópteros. Foram lançadas granadas de gás lacrimogéneo, disparadas balas de borracha e presos e espancados centenas de manifestantes.

Motivos da proibição

Recorde-se que a manifestação fora convocada para protestar contra o assassinato dos ativistas Alves Kamulingue e Isaías Sebastião Cassule, raptados a 27 e 29 de maio do ano passado, no seguimento de uma manifestação reivindicativa de ex-militares desmobilizados, e mais tarde executados pelos serviços de segurança angolanos.

O Ministério do Interior proibiu ao protesto com o argumento de que o MPLA convocara uma manifestação para o mesmo dia e que se criara um ambiente de crispação entre os partidos. Não se conhece a convocatória do MPLA nem que objetivos teria, só o Ministério do Interior parece ter sido informado dessa convocatória. Nas vésperas da manifestação, o canal de TV estatal TPA lançou uma campanha de intimidação, afirmando que a guerra civil poderia voltar.

Jornal de Angola diz que Unita foi derrotada

Em editorial nesta segunda-feira, o Jornal de Angola, porta-voz do governo,afirma que “Samakuva e a UNITA averbaram uma derrota estrondosa”, por os cidadãos terem mostrado “indiferença” ao “apelo ao desacato feito por Samakuva para se desobedecer à proibição imposta pelo Ministério do Interior às duas principais forças políticas angolanas de organizarem qualquer tipo de manifestação”.

O editorial elogia o MPLA porque “acatou a decisão e com isso vincou a sua posição de que é um partido que sabe estar à altura das suas responsabilidades” e acusa a Unita de ter tido o objetivo de “paralisar Luanda”, sublinhando que as manifestações “estavam planeadas para serem violentas e acompanhadas de cenas de vandalismo” e que a oposição pretendia que “se ouvisse falar como um espaço de tensão e de confrontação política sem quartel, com grupos de jovens a vandalizar viaturas e estabelecimentos comerciais e a espalhar a desordem por todo o lado”.  

Manifestação Popular Luanda Angola - 23-11-2013

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