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Angola: Regime mata opositor e dispara sobre manifestantes

Este sábado ficou marcado pela violência contra os opositores ao regime de José Eduardo dos Santos. Um militante da CASA-CE foi assassinado de madrugada depois de detido a colar propaganda e a polícia disparou sobre a manifestação da UNITA, fazendo pelo menos dois feridos.
Polícia voltou a reprimir manifestação da oposição angolana. Foto publicada em Maka Angola

Manuel de Carvalho “Ganga”, militante da Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE) com 28 anos, foi detido pouco depois da meia noite quando colava panfletos, com outros sete jovens, denunciando os assassinatos de Alves Kamulingue e Isaías Cassule, os ativistas e militares veteranos raptados e, sabe-se agora, assassinados pelos serviços secretos, antes de serem lançados aos jacarés. Segundo testemunhas oculares revelaram ao Maka Angola, os militares da Unidade de Segurança Presidencial mantiveram-nos imobilizados no passeio durante 45 minutos, com as armas apontadas. À chegada de uma viatura com mais militares, um deles atingiu “Ganga” com dois tiros no peito. 

Outros militantes e dirigentes daquele partido foram detidos ontem e hoje, como o secretário-geral e deputado da CASA-CE, Lionel Gomes, levado para a esquadra durante a tarde, depois da polícia ter invadido uma sede do partido. “A Polícia prendeu-nos com o pretexto de que estávamos a incitar a violência. Tudo porque estávamos a colocar panfletos nas ruas em memória do Alves Kamulingue e do Isaías Cassule”, explicou o deputado ao site Maka Angola. O responsável indica que 213 militantes terão sido detidos durante a noite, quando colavam os panfletos. “Nós decidimos partir para a acção de panfletagem e estas são as consequências. Queremos e vamos prestar solidariedade às vitimas dos assassinatos políticos e de terrorismo de estado. Vamos exigir justiça, nem que isso nos custe a vida”, disse o deputado.

Também Abel Chivukuvuku, o líder da CASA-CE, esteve detido por algum tempo e confirmou à TSF já este sábado que ainda se encontravam 67 militantes detidos.

Manifestação reprimida a tiro

A manifestação em memória dos ex-militares torturados e assassinados por prepararem a mobilização dos veteranos pelos seus direitos foi antecedida por uma campanha através dos meios de comunicação estatais, procurando passar à opinião pública a ideia de que ela seria o início do regresso da guerra civil que devastou o país. 

Logo às 9 horas da manhã, no local da concentração, a polícia disparou sobre os presentes, atingindo pelo menos duas pessoas. “Por volta das 9h00, eu estava defronte ao Cemitério da Santana, ponto de concentração da manifestação, quando, a partir do cordão de segurança da Polícia Nacional, os agentes fizeram os primeiros disparos contra os manifestantes e atingiram-me com dois tiros no pé direito”, revelou Feliciano Malundo Mayungulo, de 40 anos, ao site Maka Angola, revelando a existência de um jovem baleado logo em seguida.

O protesto convocado pela UNITA contou com a presença de vários partidos da oposição, como o Partido da Renovação Social (PRS) e cujos dirigentes também foram atacados. O representante do Partido de Renovação Social, Joaquim Nafoia, descreveu a situação ao Maka Angola: “O Samakuva [líder da UNITA] estava a pedir aos manifestantes para dispersarem, de modo a evitar que a Polícia continuasse com os actos de violência. Antes, tínhamos conversado com oficiais da própria polícia e estes simularam o afastamento dos anti-motins”. Mas em seguida, “de forma traiçoeira, lançaram várias granadas de gás lacrimogéneo contra nós, e canhões de água. O Samakuva, o vice-presidente da UNITA, Ernesto Mulato, o Sediangani Bimbi, cairam intoxicados”, descreveu o líder do PRS.

A tensão aumentou durante a semana e depois do MPLA ter convocado uma manifestação na mesma altura em Luanda, a polícia aconselhou a UNITA a desmarcar a manifestação, durante uma reunião que juntou dirigentes deste partido, o ministro do Interior Ângelo Veiga e o comandante da Polícia Nacional. 

A manifestação foi adiante e os responsáveis policiais passaram à ameaça de tentar impedir a sua realização. Durante a madrugada e manhã, várias sedes da UNITA foram invadidas em vários pontos de Angola. Segundo o site Club-K, o Secretário para Mobilização da UNITA, Francisco Falua, foi brutamente espancado por volta das 10 horas. O Secretariado provincial da UNITA em Cabinda também foi invadido por militares e polícias, que prenderam o Secretário para a Comunicação do partido na região. Ainda segundo o Club-K, que cita o secretário provincial Ernesto Kambinda, em Menongue a polícia atirou granadas de fumo e espancou alguns militantes presentes na sede.    

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