100.000 em Dublin contra cortes orçamentais

28 de novembro 2010 - 15:30

Irlandeses protestam contra medidas de austeridade impostas como contrapartida para a intervenção do FMI. Este domingo foi aprovado o pacote de auxílio de cerca de 85 mil milhões de euros a Dublin, 35 mil milhões dos quais exclusivamente para a banca.

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Dos 85 mil milhões, 35 mil milhões são exclusivamente destinados ao resgate da banca, somando ao capital já investido pelo banco central irlandês neste sector. Foto de Paul Mcerlanel, Lusa/EPA.

A manifestação, organizada pelo Congresso Irlandês dos Sindicatos (ICTU), juntou cerca de 100.000 pessoas, que acusam o governo irlandês de querer salvar os bancos e não a Irlanda.

 O plano de cortes orçamentais que é exigido como contrapartida para a intervenção da UE e FMI, e que visa reduzir o défice irlandês de 32 por cento para três por cento, é, para Jack O'Connor, presidente do principal sindicato irlandês, o Siptu, "uma declaração de guerra contra os trabalhadores menos bem pagos". Por seu lado, o secretário-geral da central sindical ICTU, David Begg, comparou o actual governo irlandês a um assaltante de estrada inglês, dizendo que “Dick Turpin, pelo menos, usava uma máscara quando roubava as pessoas”.

 Segundo uma sondagem realizada pela Quantum Research Institute, cinquenta e sete por cento dos 500 entrevistados acreditam, inclusive, que Dublin deve falhar os seus pagamentos, contra 43 por cento que pensam o contrário.

 Várias organizações não Governamentais já vieram alertar para o facto de o plano de austeridade irá agudizar a situação dos mais carenciados. O vice-presidente da Saint-Vincent de Paul (SVP), a maior associação de caridade da Irlanda, relembra que o número de pedidos de ajuda tem aumentado severamente, e afirma que com o novo plano de austeridade a população «sofrerá um impacto catastrófico».

 Empréstimo da UE e FMI foi aprovado este domingo

 O empréstimo à Irlanda, que atinge os 85 mil milhões de euros e conta com uma taxa de juro de 5,83 por cento, mais alta que os 5,2 por cento da taxa cobrada pelo empréstimo de 100 mil milhões feito à Grécia em Maio, foi aprovado este domingo.

 Dos 85 mil milhões, 35 mil milhões são exclusivamente destinados ao resgate da banca, somando ao capital já investido pelo banco central irlandês neste sector.