O jornal oficial do regime de José Eduardo dos Santos publica um ataque ao Bloco de Esquerda de 4.500 caracteres intitulado “Insulto de Lisboa”. Assinado por Álvaro Domingos, o artigo merece a leitura de todos os que se interessem pelos assuntos angolanos e em particular aqueles que tenham qualquer ilusão sobre o caráter do governo de Luanda.
Os insultos aos dirigentes do Bloco de Esquerda são pouco imaginativos: “Rei Sol”, “Menino de Deus”, “bojuda”, “histriónica”, “erro de casting”. As acusações de que o Bloco chamaria de “mercenários” os portugueses que trabalham em Angola não são apoiadas em qualquer citação.
O que se destaca, porém, são as análises políticas. Álvaro Domingos afirma que “o Bloco de Esquerda tem grandes responsabilidades na situação em que Portugal hoje se encontra”, já que “a direita deu a Louçã e seus acólitos todo o espaço nas televisões, rádios e jornais. Eram as estrelas da companhia. Como resultado dessa exposição mediática, o Partido Comunista enfraqueceu”. Assinale-se que esta é a única referência no artigo ao PCP.
E prossegue: “Como a receita funcionou bem, a direita pôs Francisco Louçã e os seus papagaios a atacar o Governo do engenheiro José Sócrates, o melhor que Portugal teve depois do 25 de Abril”. Abraçando a conhecida tese da direção do PS, o Jornal de Angola afirma que “o Bloco de Esquerda ajudou a direita a derrubar José Sócrates, escancarando as portas à Troika que desde então, confisca tudo quanto é dinheiro aos portugueses que vivem dos seus salários e das suas pensões e reformas”. Ninguém deve ter dito ao autor do artigo que, tal como o Bloco, também o PCP, acertadamente, votou contra o PEC 4.
Álvaro Domingos assinou recentemente um artigo em defesa de Rui Machete, e outro em que afirma que "Angola tem sido, sobretudo nos últimos dez anos, o baluarte da democracia e da liberdade na comunidade de países que falam a língua portuguesa" e que "os direitos humanos estão em perigo em Portugal".