“As sondagens não são a primeira volta das eleições”

06 de janeiro 2026
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Catarina Martins respondeu aos apelos ao voto útil de António José Seguro, dizendo que para o eleitorado a primeira volta das eleições “é uma volta de convicção” em que escolhe “quem é que dá garantias de dizer uma coisa e fazer o que diz no dia seguinte”.

No dia em que os onze candidatos às eleições presidenciais têm encontro marcado para três horas de debate televisivo, Catarina passou a manhã a ouvir a população no mercado de Torres Novas. “Toda a gente me fala da Saúde”, disse a candidata aos jornalistas, insistindo que “a Saúde tem de ser um tema nesta campanha”.

Catarina afirmou concordar com o recente veto de Marcelo Rebelo de Sousa a alguns diplomas de um Governo que “corta primeiro e pensa depois”. Depois de ter assistido ao corte na despesa com medicamentos nos hospitais no último Orçamento, o executivo “não foi capaz de prevenir a quantidade de vacinas da gripe que o país precisava e agora queixa-se que há um surto de gripe e não sabe o que há-de fazer. É difícil pensar em maior irresponsabilidade”, afirmou a candidata.

Não podendo legislar nem governar, “uma Presidente da República tem de chamar a atenção: não podemos continuar a achar que o inverno ou a gripe é uma surpresa”. E para abrir o debate para desbloquear os problemas no SNS, Catarina propõe ouvir os profissionais de saúde e voltar a pôr em cima da mesa a proposta de António Arnaut e João Semedo para reinventar o SNS.

Questionada pelos jornalistas sobre as declarações de António José Seguro a pedir o voto dos apoiantes dos candidatos da esquerda, Catarina lembrou que “ainda ninguém tem um único voto, as sondagens não são a primeira volta das eleições. A primeira volta das eleições presidenciais é uma volta de convicção, em que se dá força ao projeto em que se acredita enquanto país”.

“António José Seguro voltou ontem a dizer que se orgulha de ter apoiado o corte de subsídio de férias e do subsídio de natal contra a Constituição. Agora pede o voto para quê? Para no dia a seguir poder voltar a orgulhar-se de apoiar ou viabilizar cortes contra a Constituição”, prosseguiu Catarina, contrapondo que “a mim as pessoas conhecem-me: quando isso aconteceu eu juntei forças com socialistas para ir ao Tribuna Constitucional e repor o subsídio de férias e de natal que tinha sido cortado”.

Para a candidata, estas eleições presidenciais são sobre “quem é que dá garantias de dizer uma coisa e fazer o que diz no dia seguinte. Quem é que se vai impor a um Governo que na Saúde corta primeiro e pensa depois? Quem é que dá garantias de defender os salários e as pensões?”, questionou.

Em seguida, os jornalistas quiseram ainda ouvi-la acerca da regionalização. Catarina lembrou que sem uma revisão constitucional a regionalização só pode avançar com um novo referendo e que o atual Presidente deixou claro no início do seu mandato que não considerava existir condições para que ele acontecesse. Catarina Martins diz ter a opinião contrária à de Marcelo e se for eleita promete não se opor caso haja uma maioria parlamentar que aprove a realização de um referendo à regionalização.

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