Debate completo: Catarina Martins e Jorge Pinto

21 de dezembro 2025
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No último debate em que ambos os candidatos participam, a Europa e o combate ao chamado “voto útil” foram os principais temas em cima da mesa.

O debate da noite de domingo na RTP pôs frente a frente Catarina Martins e Jorge Pinto, com Vítor Gonçalves no papel de moderador a abrir o debate tentando perceber as divergências entre as candidaturas.

Catarina destacou a sua experiência em “criar pontes num momento em que a política tem muitos bloqueios” e Jorge Pinto assumiu um “europeísmo crítico”, mas convicto num projeto europeu que seja “um pólo distintivo a nível global”.

O tema da Europa assumiu grande preponderância neste debate, com Catarina Martins a afirmar que “a unidade europeia não existe, é uma disputa política” e que Portugal deve participar dessa construção, apesar de nunca ter havido um referendo europeu no país Realçou ainda a sua participação direta no processo das iniciativas cidadãs “My Voice my Choice” pelo acesso ao aborto seguro e na que pretende acabar com o acordo comercial UE/Israel que ajuda a financiar o genocídio em Gaza. “Isto é construir a Europa”, sublinhou.

Para tentar marcar a diferença, Jorge Pinto afirmou que o Bloco defendeu um referendo à participação na UE após o Brexit, ao que Catarina respondeu que defendeu o referendo sobre o tratado orçamental e opôs-se às ameaças de sanções europeias quando a “geringonça” aumentou o salário mínimo. Jorge Pinto procurou encontrar divergências quanto à proposta de uma comunidade europeia de defesa, com Catarina a defender que essa cooperação devia ir mais além e incluir países como a Noruega ou o Reino Unido.

A possibilidade de ausência de uma candidatura da esquerda na segunda volta e os apelos de António José Seguro foi o tema seguinte do debate, com Jorge Pinto a defender que “não se devem pôr os ovos todos no mesmo cesto” e que o próximo Presidente será “o bombeiro do sistema” face às ameaças da extrema-direita, com a possibilidade de uma “golpada” através de uma revisão constitucional.

Catarina Martins afirmou que “a escolha do mal menor só tem feito com que o mal maior cresça” e que apesar da “grande proximidade” entre Marques Mendes e Seguro, ninguém lhes pergunta se vão desistir a favor do outro. Pelo seu lado, diz sentir a sua campanha a crescer e insistiu que “temos de equilibrar o sistema”.

O debate prosseguiu pelo perfil presidencial que ambos defendem, com Catarina a defender que esse papel “deve ser interventivo para lançar debates e dar voz ao país” e não para intervir no jogo partidário, como fez o atual Presidente. E num momento em que “quem trabalha se sente abandonado”, defendeu que “uma Presidente da República tem de ser contra o abandono do país e por uma democracia mais forte”.

Jorge Pinto defendeu um papel presidencial que passe por “mobilizar” o país e elencou propostas como a realização de uns estados gerais sobre a defesa do SNS ou a realização de uma assembleia cidadã sobre a regionalização, além da intervenção na definição do modelo económico para as próximas décadas.

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