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Manifestação antinuclear lembra a tragédia de Fukushima

Milhares de pessoas saíram às ruas de Tóquio para assinalar o segundo aniversário da catástrofe e exigir ao governo o desmantelamento das centrais nucleares no país. Os protestos antinuclear estenderam-se a outros países e mais de 20 mil participaram numa corrente humana em Paris.
Manifestação em Tóqui Foto Penlock/Flickr

A manifestação ocorre na véspera de se completarem dois anos desde o terramoto e o tsunami que matou cerca de 19 mil pessoas e provocou grandes estragos na central nuclear de Fukushima. Cerca de 160 mil pessoas foram obrigadas a deixar as suas casas para fugir às radiações, e passados dois anos ainda não podem voltar. Os níveis de radiação a que estão expostos os trabalhadores da central - as únicas pessoas permitidas num raio de 20 quilómetros à volta da central - são o quádruplo dos registados antes do acidente e o risco de cancro é hoje maior naquela zona, diz a Organização mundial de Saúde.

Em Tóquio, cerca de 15 mil manifestantes pediram ao governo eleito em dezembro que desmantele as restantes centrais nucleares japonesas. Participaram no protesto alguns moradores da região de Fukushima e o Nobel da Literatura Kenzaburo Oe, informa a France Presse. Mas o partido Liberal do primeiro-ministro Shinzo Abe é considerado próximo da indústria nuclear e defende mesmo a reabertura dos dois reatores afetados o quanto antes, ao contrário do anterior Governo do partido Democrata, que prometera um Japão sem centrais nucleares para 2030.

"Exigimos o início rápido dos processos de desmantelamento dos reatores e nos opomos a qualquer projeto de reconstrução de novas centrais nucleares", disseram os organizadores da manifestação em um comunicado.

Também em Paris, várias organizações ambientalistas e políticas juntaram-se para assinalar o dia com uma série de correntes humanas à volta de edifícios públicos, como o Ministério das Finançasou o Parlamento, mas também as sedes da EDF e da Areva, as empresas que licram com as centrais. Os organizadores da Rede Antinuclear afirmam que mais de 20 mil pessoas vieram de todo o país participar nesta corrente humana. O protesto exigiu ao governo de François Hollande que encerre os retores em funcionamento há mais de 30 anos, fazendo disso um primeiro passo para a saída da França do nuclear civil, mas também militar.

Nos arredores da cidade alemã de Hanover, vários ativistas encenaram um acidente nuclear junto à central de Grohnde, que deverá funcionar até 2022, depois do governo ter decidido suspender a atividade de oito das 17 instalações nucleares do país. A ação incluiu a simulação de um perímetro de segurança à volta da central.

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