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Rapper catalão refugia-se em universidade

Terminado o prazo para se apresentar na prisão, Pablo Hasél desafia o Estado a vir prendê-lo. Horas depois das eleições, a Procuradoria espanhola anunciou que vai recorrer da libertação dos presos do “procés”.
Pablo Hasél na universidade de Lleida
Pablo Hasél na universidade de Lleida. Imagem TV3

Condenado por crimes de injúrias à Coroa e apoio ao terrorismo nas suas canções e tweets, o rapper Pablo Hasél já tinha anunciado que não se iria apresentar na prisão na data fixada, a passada sexta-feira. Esta segunda-feira, na companhia do comité de solidariedade que o apoia, decidiu fechar-se na Universidade de Lleida, para onde está prevista uma concentração solidária ao fim da tarde.

“Estou fechado com bastantes solidários na Universidade de Lleida, terão de rebentá-la para deter-me e prender-me”, anunciou o artista nas redes sociais.

Na semana passada, o governo espanhol voltou a prometer mudanças na lei para que casos como o de Hasél deixem de acarretar penas de prisão. Mas mesmo que venha a concretizar a promessa, isso já não se aplicará ao seu caso. O artista decidiu não seguir o exemplo de outro rapper, Valtònyc, que fugiu para a Bélgica para escapar à prisão pelos mesmos crimes. Hasél acredita que a prisão será a sua próxima barricada na luta contra o Estado que o quer ver atrás das grades por dizer e cantar aquilo que pensa.

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Ao fim de semanas de campanha eleitoral em que se ouviram múltiplos apelos ao “virar de página” no conflito catalão, bastaram poucas horas após se saber o veredito das urnas para a Procuradoria vir anunciar que interpôs recurso contra a passagem dos nove presos do “procés” ao regime de terceiro grau, que lhes permite cumprir parte da longa pena fora do estabelecimento prisional. O recurso pede ainda que sejam suspensas de imediato as saídas dos presos até haver uma decisão final. A palavra final cabe agora aos juízes de execução de pena.

A notícia caiu como uma bomba nos meios independentistas, que no domingo alcançaram uma vitória que almejaram durante muitos anos: obter não apenas 50% dos deputados, mas também mais de 50% dos votos do eleitorado catalão.

“É a resposta de um Estado vingativo aos resultados de ontem. Mas a cidadania exprimiu-se com clareza: a Esquerda Republicana vai liderar uma nova etapa e tudo fará pelo fim da repressão e pela autodeterminação”, afirmou a porta-voz da ERC, o partido independentista mais votado. Na mesma conferência de imprensa, Marta Torres afirmou que o partido vai dar início a conversações com o Junts, a CUP e o En Comú Podem para formar governo, reafirmando ser “impossível” qualquer acordo com os socialistas, que foram o partido mais votado no domingo.

Também Carles Puigdemont, que viu o seu partido Junts passar para a terceira posição, com menos um deputado do que a ERC, reagiu a partir do exílio belga: “Diziam que queriam ‘virar a página’, quando na realidade queriam dizer ‘deixar passar as eleições”, ironiza o antigo líder do governo catalão. Para o Junts, a maioria que sustenta o próximo governo deveria ser constituída pelas forças independentistas, ou seja, com a ERC e a CUP.

A vitória do PS catalão, apesar de obter o melhor resultado das últimas décadas, não significa que este consiga reunir maioria para governar, à semelhança do que aconteceu ao Ciudadanos quando venceu as eleições anteriores. E apesar de Salvador Illa ter anunciado na noite eleitoral que se apresentará à investidura, é pouco provável que isso aconteça, dado que a lei que regula a formação de governos na Catalunha dá ao presidente do Parlamento o poder de propor ao plenário um candidato ou candidata, após consultar os partidos.

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