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Catalunha: Veto aos socialistas marca reta final da campanha

Os catalães vão a votos no domingo para escolher o próximo parlamento. Partidos independentistas comprometeram-se a não negociar acordos de governo com o PS catalão.
Trabalhadores preparam urnas de voto para distribuição nos centros eleitorais.
Trabalhadores preparam urnas de voto para distribuição nos centros eleitorais. Foto EPA/Enric Fontcuberta

É já no domingo que os catalães vão finalmente poder escolher os deputados no Parlamento para a próxima legislatura. As sondagens publicadas até meio da campanha indicavam o reforço da intenção de voto no candidato socialista, Salvador Illa, até há pouco ministro da Saúde do governo espanhol, bem como a queda livre do Ciudadanos, o partido mais votado na eleição anterior. Mas a perspetiva de uma maioria composta pelos partidos independentistas continua uma forte hipótese. O Partido Socialista da Catalunha (PSC), a Esquerda Republicana (ERC) e o Juntos pela Catalunha (Junts) aparecem praticamente empatados à frente das intenções de voto.

Na reta final da campanha, estes partidos assinaram um manifesto lançado pela plataforma “Catalães pela Independência”, formada por antigos dirigentes da organização social Assembleia Nacional Catalã. ERC, Junts, CUP e PDECat comprometeram-se a “seja qual for a correlação de forças saída das urnas” “em nenhum caso se fará um acordo de governo com o PSC”. Ao assinar o compromisso, a ERC tentou dissipar dúvidas lançadas pelos restantes partidos independentistas ao longo da campanha de que estaria aberta a negociar um governo com os socialistas e o Podemos catalão, En Comú Podem. O candidato da ERC, Pere Aragonés, afirma que esse compromisso deixa claro aos eleitores que terão de escolher entre ele e Illa.

Em resposta, Salvador Illa procurou capitalizar esse acordo para tentar concentrar em si o voto unionista, dada a sangria do eleitorado do Ciudananos. Para isso comparou-o à “foto de Colón”, quando os líderes do PP, Ciudadanos e Vox se juntaram numa manifestação contra o independentismo na Plaza Colón em Madrid.

Nas últimas horas de campanha sucedem-se o apelo ao voto dos muitos indecisos detetados pelas empresas de sondagens. O comício de encerramento da ERC esta sexta-feira contará com a presença de Oriol Junqueras, um dos governantes condenados no julgamento do “procés catalão”. Na quinta-feira, Pablo Iglesias e Ada Colau participaram no comício do En Comú Podem, tal como o líder parlamentar no Congresso espanhol, Jaume Asens, que desafiou a ERC a “independentizar-se” da direita nacionalista catalã. A primeira candidata, Jessica Albiach, reafirmou que só haverá governo de esquerda na Catalunha com uma representação forte do seu partido.

Por seu lado, a presidente da Assembleia Nacional Catalã, Elisenda Paluzie, apelou à mobilização do eleitorado independentista, afirmando que as eleições lhes trazem a oportunidade de alcançar um “resultado histórico”, a tão almejada fasquia dos 50% de votos.

Para já, sabe-se que muitos eleitores optaram por votar por correspondência, batendo todos os recordes: mais de 265 mil pessoas, segundo dados dos Correios, enviaram o seu voto por esta forma ou deslocaram-se à estação de Correios mais próxima para votar.

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