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Brasil: Ação violenta da polícia gera onda de solidariedade com Movimento Sem Terra

Invasão da Escola Nacional Florestan Fernandes despoleta movimento de repúdio internacional. Várias personalidades condenam repressão arbitrária e manifestam o seu apoio ao MST.

Na manhã de sexta-feira, cerca de 10 viaturas da polícia civil e militar invadiram a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) em Guararema, São Paulo. As autoridades justificaram a invasão com o argumento de que pretendiam executar o mandado de prisão de Margareth Barbosa de Souza. Segundo testemunhas no local, os agentes da polícia saltaram o portão da Escola e a janela da receção e dispararam balas letais.

A ação ocorreu no âmbito da Operação Castra, que tem como alvos integrantes do MST. Duas pessoas acabaram por ser detidas por desacato, entre as quais um doente de Parkinson com 70 anos.

De acordo com a diretora da ENFF, ninguém no local conhecia Margareth: “Eles agrediram uma mulher grávida, estavam totalmente descontrolados. Foi uma ação que avilta os direitos dos trabalhadores, uma violência absurda”, descreveu Rosana Fernandes.
 

Em comunicado, o MST salienta que a “ação faz parte da continuidade do processo histórico de perseguição e violência que o MST vem sofrendo em vários Estados e no Paraná” e denuncia “a escalada da repressão contra a luta pela terra, onde predominam os interesses do agronegócio associado a violência do Estado de Exceção”.

No seu Twitter, Leonardo Boff destaca que “o reacionarismo do atual governo pode provocar reações violentas de grupos que lembram 1968 com ações que não queremos sequer recordar”. “Passo a passo este Governo usurpador de direitos mostra que a única linguagem que conhece para com o povo é a violência arbitrária, a bala”, assinala Boff, acrescentando que “Vivemos num Estado de exceção. Para os que detém poder vale tudo, não há constituição, nem leis. O poder do direito virou o direito do poder”.

Além de Leonardo Boff, o ator Wagner Moura e o músico e compositor Lirinha gravaram vídeos de apoio e solidariedade ao MST.

"Se alguém tinha dúvidas de que o Brasil vive um estado de exceção, um estado policialesco, a invasão da escola Florestan Fernandes pela polícia é uma demonstração covarde de truculência, típica de um Estado de exceção", disse Moura.

 

O cantor e compositor Lirinha, que integrava o grupo Cordel do Fogo Encantado, estava na escola no momento da invasão: "[Esta é] mais uma prova de que estamos em um estado de suspeição da democracia. Eu estou agora dentro da escola nacional Florestan Fernandes, vim participar de uma palestra sobre cultura popular, e no meio da palestra escutamos tiros".

A par de políticos, intelectuais, professores, juízes, as manifestações de solidariedade surgem ainda de artistas como o cartoonista Carlos Henrique Latuff e o pintor e muralista equatoriano Pavel Égüez.

Iniciativa de solidariedade reúne ativistas de pelo menos 36 nacionalidades

Organizações da sociedade civil e personalidades convocaram, entretanto, uma iniciativa contra a Criminalização dos Movimentos Populares e em Solidariedade à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF).

A iniciativa, que reuniu ativistas de pelo menos 36 nacionalidades, como África do Sul, Canadá, Cuba, Egito, Estados Unidos, Gana, Índia Marrocos, Nepal, Nigéria, Senegal, Síria e Palestina, contou com a participação de políticos e parlamentares como o ex-presidente Lula, o Senador Lindbergh Farias, o Deputado Federal Ivan Valente (PSOL-SP) e o vereador e presidente do PCdoB da cidade de São Paulo, Jamil Murad.

Entre as várias centenas de pessoas presentes, contaram-se ainda representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), do Levante Popular da Juventude e do Coletivo Democracia Corinthiana.

Boaventura de Sousa Santos reafirma solidariedade com MST

Em nome dos investigadores e das investigadoras do Projeto ALICE, Boaventura de Sousa Santos repudia “a absurda e desmesurada violência perpetrada contra a ENFF, as vítimas desse episódio desastroso de ataque policial e a tudo o que a escola simboliza” e reafirma e apoia “os direitos do MST e dos demais movimentos sociais de se manifestarem e de se organizarem de forma livre, democrática e autônoma, pois entendemos que “Lutar não é crime!”.

Em comunicado, o sociólogo e professor universitário lembra que “esta ação de intimidação e criminalização de um dos mais importantes movimentos sociais do Brasil e de todo continente ocorre num contexto mais amplo de intensificação de ataques a direitos, impulsionado pelo recente golpe parlamentar, jurídico e mediático que culminou com uma troca ilegítima no comando do Executivo Federal e na adoção de uma agenda regressiva e conservadora levada a cabo pelo contestado governo atual”.

 

Polícia invade Escola do MST no interior de SP 04/11/2016

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