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O movimento Cineclubista

O movimento cineclubista ganhou peso a partir do final dos anos 50 e viria a estar ligado à luta política de resistência à ditadura.

O movimento cineclubista ganhou peso a partir do final dos anos 50 e viria a estar ligado à luta política de resistência à ditadura. Foi pujante nos anos 60 e continuou forte até ao final do Estado Novo. Desde o encerramento da Invicta Filme e até essa altura, a produção cinematográfica foi praticamente residual no Porto. Ainda assim houve excepções relevantes pela excelência dos resultados alcançados. As mais notáveis são dois filmes de Oliveira Aniki-Bóbó (1941) – uma obra fundamental hoje indissociável do imaginário do Porto – e O Pintor e a Cidade (1956), uma curta-metragem de cunho documental que tem como ponto de partida as aguarelas de um artista muito conhecido, António Cruz, porventura o maior aguarelista português. Em qualquer dos filmes, o Porto tem uma presença singularíssima proporcionada através do olhar do cineasta como, aliás, acontecera já com Douro, Faina Fluvial.

Episodicamente, um ou outro realizador filmou no Porto, mas sem que isso correspondesse a algum interesse inovador. Manuel Guimarães, porém, com a Costureirinha da Sé (1958), inteiramente filmado na cidade, embora seguindo a fórmula então em voga das operetas que serviam para fazer aparecer na tela os cançonetistas mais populares, conseguiu fazer passar um retrato sociológico da população da sua zona histórica.

Nos anos 60, o Cineclube do Porto, que contava com figuras como António Reis, através da sua Secção de Cinema Experimental, começou também a produzir filmes. Lopes Fernandes filmou o Auto de Floripes (1960), um ritual popular da aldeia das Neves, em Viana do Castelo, mas, de um modo geral, essa produção não deu lugar a obras relevantes apesar do valor que lhes possa ser atribuído enquanto documentos.

Em contrapartida, Manoel de Oliveira fez a partir do Porto mais três curtas-metragens que são outras tantas obras-primas. O Acto da Primavera (1962), eventualmente inspirado no filme de Lopes Fernandes, que foi seu assistente neste filme, A Caça (1963) e as As Pinturas do Meu Irmão Júlio (1965).

Nesta altura, o Cineclube do Porto era já o mais importante do País, sendo Henrique Alves Costa a sua figura mais destacada. Foi ele um dos principais artífices, em 1967, da Semana do Novo Cinema Português, evento que contou com a presença da maioria dos jovens realizadores da altura e cujas conclusões viriam a ter uma importância decisiva num novo ciclo do cinema português, agora com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, que iria prolongar-se praticamente até ao fim do Estado Novo.

Durante este período, as sessões duplas do Cineclube do Porto esgotavam a lotação das salas, nomeadamente o Cinema Batalha – inaugurado em 1947 – com os seus cerca de 1.000 lugares. Outros cinemas históricos da cidade, como o São João, o Coliseu, o Trindade, o Carlos Alberto, o Olímpia e o Águia d’Ouro exibiam filmes produzidos sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. Havia o grande público que tinha o hábito de ir ao cinema –  apesar do impacto da televisão. Mas havia também um público cinéfilo mais ligado à política dos autores que gostava de olhar e pensar o cinema de outro modo.

Claro que, mesmo após a chamada primavera marcelista, nem todos os filmes chegavam a Portugal. E os que chegavam eram frequentemente retalhados ao ponto de, por vezes, se tornarem incompreensíveis. Omnipresente, na maioria dos casos segundo critérios que só os seus agentes entenderiam, a censura decidia sobre o que podia ou não ser dado a ver. Mas nem por isso o cinema deixou de dizer o que era preciso dizer. Tal como hoje, 40 volvidos sobre a Revolução de Abril, quando tanta coisa mudou e tanta mais é urgente mudar.

Bibliografia
Alves Costa, Henrique– Breve história do cinema português – 1896-1962, Biblioteca Breve, Instituto de Cultura Portuguesa, Ministério da Educação e da Investigação Científica, Lisboa, 1978.

Andrade, Sérgio C. – O Porto na História do Cinema, Porto Editora/ Porto 2001, 2002.

Bénard da Costa, João – Histórias do Cinema, Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Lisboa,1982.

Félix Ribeiro, M. – Filmes, Figuras e Factos da História do Cinema Português 1896 -1949, Cinemateca Nacional, Lisboa, 1983.

Pina, Luís de – Panorama do Cinema Português – das origens à actualidade, Ed. Terra Livre, Lisboa, 1978.

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Resto dossier

Desobedoc 2017 - Mostra de Cinema Insubmisso - 28 de abril a 1 de maio, no Porto

Pelo segundo ano no Cinema Batalha, o Desobedoc 2017 apresentará quarenta filmes, dos quais treze portugueses, que abordarão quatro temas: Direito à Cidade; tributo a Ken Loach; 100 anos da Revolução Russa; Trabalho e precariedade.

Programa de 29 de abril

O segundo dia da mostra terá em exibição Para um futuro livre de Petróleo (18h), Cathy Come Home (18h30), A Síndrome de Veneza (19h), Cerca de tu casa (21h30), Encardido (22h), uma Sessão de curtas pelas 23h seguido de Rat Film (23h30). 

Programa de 28 de abril

A mostra insubmissa tem início com um debate dedicado ao Cinema Batalha e visionamento de Douro Faina Fluvial, pelas 18h na Sala Batalha. Seguem-se a exibição de Ada for Mayor (22h), Nada a Temer (23h30) e Versus - A vida e os filmes de Ken Loach (24h). 

Tudo o que precisas de saber para ir ao Desobedoc 2017

O Desobedoc  - Mostra de Cinema Insubmisso decorre de 28 de abril a 1 de maio de 2017 na cidade do Porto no Cinema Batalha. A entrada é gratuita e os debates são abertos ao público.

Cinema Batalha, história e imagens

Neste artigo exploramos a história do Cinema Batalha desde os dias em que era um Salão High-Life até aos dias de hoje, com imagens históricas que vale a pena conhecer. 

A Invicta Filme

Jorge Campos contextualiza as origens da Invicta Filme, do trabalho que desenvolveu para criação de públicos para o cinema português até ao seu fecho em 1931. 

Paz dos Reis, o primeiro cineasta português

Homem de múltiplos interesses, Paz dos Reis, a par da sua actividade comercial num estabelecimento chamado Flora Portuense situado na Praça de D. Pedro, mais tarde designada Praça da Liberdade, foi um excelente fotógrafo premiado, por diversas vezes, em Portugal e no estrangeiro. Artigo de Jorge Campos. 

História do Cinema no Porto (1896-1974)

Introdução a um ciclo de artigos de Jorge Campos sobre a história do Cinema no Porto, entre 1896 e 1974.

O ciclo do Porto

Jorge Campos apresenta neste texto o panorama da indústria cinematográfica no Porto no início do século XX. 

O movimento Cineclubista

O movimento cineclubista ganhou peso a partir do final dos anos 50 e viria a estar ligado à luta política de resistência à ditadura.

Douro Faina Fluvial e as revistas de cinema

“Esta ante-estreia foi um escândalo. Perante a surpresa dos congressistas estrangeiros, os espectadores portugueses, na sua maioria, vaiaram ruidosamente o filme." 

Texto de Maria Manuel Rola

Cinema Batalha, via restosdecoleccao.blogspot.pt

A cidade ganhou o Batalha!

Mais um Desobedoc. Outra programação mas a mesma insubmissão no combate às forças do mercado que tudo precarizam: o emprego, o salário, a reforma, a habitação, os serviços públicos, o ambiente, as cidades, os direitos.  Texto de João Semedo