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Movimento Socialista Russo toma posição contra “imperialismo russo”

Putin culpou Lenine pela existência da Ucrânia e ameaçou mostrar a Kiev “o que significa descomunização”. O MSR apela à retirada imediata de tropas russas e ao direito dos cidadãos ucranianos a decidir o destino do seu país "sem os imperialistas do ocidente ou do oriente".
Manifestantes do Movimento Socialista Russo em 12 de fevereiro. Foto do Facebook do grupo.
Manifestantes do Movimento Socialista Russo em 12 de fevereiro. Foto do Facebook do grupo.

Num comunicado escrito depois da intervenção do presidente russo onde este anunciou o reconhecimento das Repúblicas Populares de Donetsk e de Lugansk, o Movimento Socialista Russo defende que devem ser os cidadãos ucranianos “a decidir o destino do seu país sem os imperialistas do ocidente ou do oriente”.

Fundado em 2011, através da fusão de vários grupos comunistas, socialistas e anti-capitalistas, este movimento tem-se oposto a Putin. A tomada de posição desta segunda-feira, intitulada “contra o imperialismo russo, tirem as vossas mãos da Ucrânia”, acusa o chefe de Estado da Rússia de recorrer a um “panegírico anti-comunista” para “encobrir a mais terrível e repugnante forma de nacionalismo – o chauvinismo da Grande Rússia”. Putin culpou Lenine como tendo sido “o fundador da Ucrânia” e “ameaçou mostrar aos ucranianos o que significa descomunização”. Pelo caminho, “atirou pedras à economia planificada, à nacionalização e saudou o estalinismo”.

Para o MSR, o retrato que o presidente russo fez do país vizinho - “perseguição da oposição, aumento dos preços de bens e serviços, ausência de tribunais independentes” - é “como se estivesse a falar da Rússia”. O grupo político ressalva que “não nega que as reformas em curso na Ucrânia levaram a uma desigualdade social monstruosa, despovoamento, desemprego e outros problemas”. Mas diz que isso deve ser resolvido pelos trabalhadores e todas as camadas oprimidas da população ucraniana e não “pelo equipamento militar russo e pelos lobistas pró-russos”.

Afirmando que as violações dos acordos de Minsk não são culpa apenas de Kiev mas também de Moscovo, o MSR apela à “retirada imediata de tropas russas, o fim de qualquer apoio militar aos grupos armados em Lugansk e Donetsk, a aplicação do cessar-fogo e ao direito dos cidadãos ucranianos a decidir o destino do seu país sem os imperialistas do ocidente ou do oriente.”

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Ucrânia
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Neste dossier:

Guerra na Ucrânia

A agressão militar desencadeada por Putin foi o passo mais recente de um conflito antigo. Reunimos aqui artigos de análise da situação e a perspetiva da esquerda russa e ucraniana. Dossier organizado por Carlos Carujo.

Steve Bannon, uma das figuras mais influentes da extrema-direita norte-americana. Foto de Gage Skidmore/Flickr.

Ucrânia: a extrema-direita americana escolheu Putin

Na Europa, a extrema-direita dividia-se tradicionalmente entre o apoio aos seus congéneres ucranianos e o apoio ao regime de Putin. A força do dinheiro desempatava no caso de grandes partidos como os de Le Pen e de Salvini. Nos EUA, depois da invasão a balança passou a pender mais claramente para a admiração pelo presidente russo.

Manifestantes do grupo de esquerda "Movimento Social" manifestam-se contra a guerra. Foto do Facebook desta organização.

Uma carta à esquerda ocidental a partir de Kiev

Com a capital ucraniana a ser bombardeada, o historiador de esquerda Taras Bilous decidiu escrever uma carta à esquerda que “exagera a influência da extrema-direita na Ucrânia mas não presta atenção à extrema-direita nas “Repúblicas Populares” e evitar criticar as políticas conservadoras, nacionalistas e autoritárias de Putin”.

Manifestação de apoiantes do Azov em 2019 em Kiev. Foto de Goo3/Wikimedia Commons.

Os dois rostos da extrema-direita ucraniana

A propaganda de Putin mostra a Ucrânia como um estado fascista. A ocidente a extrema-direita ucraniana costuma ser negligenciada. Adrien Nonjon faz aqui o retrato realista de um fenómeno que apesar de continuar a ser “marginal”, tenta ser “o novo ponto de convergência e de partida para uma revolução nacional pan-europeia”.

Putin foto de Antonio Marín Segovia/Flickr.

A guerra de Putin na Ucrânia: nas pegadas de Saddam Hussein

Há um paralelo impressionante entre o comportamento de Vladimir Putin na Ucrânia e o comportamento de Saddam Hussein no passado. Os dois homens recorreram à força, acompanhados de reivindicações notavelmente semelhantes, para alcançar ambições expansionistas. Por Gilbert Achcar.

Barricada dos independentistas em Luhanksem 2014. Foto de Qypchak/Wikimedia Commons.

“Há sentimentos muito contraditórios na população de Donbass”

O investigador Gerard Toal tem feito inquéritos às populações do sudeste da Ucrânia e em Donbass em particular. Defende que a identidade desta região não é etno-nacionalista mas marcada sobretudo pelo orgulho na sua potência industrial da era soviética. E fala ainda das raízes do conflito e da agenda do governo de Putin.

Putin, o czar da extrema direita russa e europeia

Os principais aliados políticos de Vladimir Putin na Europa são partidos da extrema-direita. Por entre acordos de cooperação com o partido Rússia Unida e denúncias de financiamento ilegal a partir de Moscovo, as formações lideradas por Salvini, Marine Le Pen e Viktor Orbán integram a órbita europeia do chefe do Kremlin.

Bloco condena "agressão imperialista da Rússia" e defende "Ucrânia integral e neutral"

A Comissão Política do Bloco de Esquerda defende que Portugal deve "condenar a aventura militar de Putin e demarcar-se dos posicionamentos de apoio aos EUA e à expansão da NATO". Leia aqui o comunicado.

Banco Nacional da Ucrânia. Foto de Max/Wikimedia Commons.

A Ucrânia e o Império do Capital

A transição voraz do país para uma economia de mercado dirigida pelo bloco cleptocrático dominante tornou a Ucrânia numa vítima do implacável crescimento do império do capital vulnerável à colisão entre os imperialismos capitalistas russo e ocidental. Por Yuliya Yurchenko.

Manifestantes do Movimento Socialista Russo em 12 de fevereiro. Foto do Facebook do grupo.

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Perguntas e respostas sobre a guerra que estava esquecida em Donbass

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Manifestantes na praça Maidan a atirar cocktails molotov. Foto de Mstyslav Chernov/Wikimedia Commons.

Como uma insurreição de extrema-direita apoiada pelos EUA nos trouxe à beira da guerra

Em 2014, as disputas dos poderosos, a ira justa contra um status quo corrupto e oportunistas de extrema-direita derrubaram o governo ucraniano. A crise de hoje não pode ser compreendida sem entender as revoltas de Maidan – e o apoio de Washington. Por Branko Marcetic.

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O princípio da soberania absoluta de segurança e militar da Ucrânia tornou-se numa desculpa para manter a funcionalidade da NATO e colocá-la no seu contexto regional europeu sob a hegemonia dos EUA, após o seu fracasso no Afeganistão. Artigo de Gustavo Buster.

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A Ucrânia, segundo o Kremlin

Ainda que seja inegável que há um confronto geo-estratégico entre NATO e Rússia, quem olhe para este conflito a partir da esquerda não deve fazer um duplo mortal com pirueta e acabar a apoiar o reacionário e contra-revolucionário Putin, cujas políticas fariam as delícias dos militantes do VOX. Por Miguel Vázquez Liñán.

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