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A Estratégia Global dos EUA: Derrotar Potenciais Desafiadores na Eurásia

O ano de 2010 assinala o regresso de Washington à Ásia e, particularmente, a acções concertadas e engendradas para desafiar o seu maior rival económico do mundo: a China. Por Rick Rozoff
Eurasia - imagem de wikipedia

“A Eurásia é... o xadrez onde a luta pela primazia global continua a ser travada.”

Esta semana, ao entregar o seu relatório anual sobre o exército chinês ao Congresso, o Departamento da Defesa dos EUA “deu voz ao alarmante crescimento do exército da China,” com particular ênfase naquilo que foi descrito como o “forte investimento nas capacidades dos mísseis cruzeiros e balísticos que, um dia, poderá representar um desafio ao domínio dos EUA no Pacífico Ocidental.” 1

O relatório, que originalmente deveria ter sido apresentado no dia 1 de Março (2010), tem como título o seguinte: Desenvolvimentos Militares de Segurança que Envolvem a República Popular da China. 2

Embora comente favoravelmente o aumento das “contribuições para os esforços de manutenção da paz internacional, para a ajuda à assistência humanitária e o alívio de catástrofes, e operações contra a pirataria” por parte da China, foca extensivamente o que foi dito em cima: que a capacidade militar do Estado poderá acompanhar o seu crescimento económico e tornar-se um desafio ao domínio norte-americano da região do Pacífico Oeste que foi conquistado após a II Guerra Mundial e, tal como aconteceu com a Europa e agora com África, num grau quase incontestado depois da Guerra Fria.

A crescente e, para a maior parte do mundo, imperceptível subordinação da Europa a Washington através da expansão da NATO começou no início da década de 90 e foi completada ao longo dos últimos onze anos, desde a Guerra da Jugoslávia e a integração do primeiro Estado ex-Pacto de Varsóvia no bloco militar controlado pelos norte-americanos em 1999.

Depois da invasão do Iraque em 2003, foram colocadas tropas de vinte novos membros da NATO e Estados candidatos da Europa de Leste, do Sul do Cáucaso e da Ásia Central e, no final de 2008, foram transferidas para o Afeganistão onde serviram sob o comando da NATO. Até à data, 38 nações europeias (incluindo do Sul do Cáucaso) disponibilizaram tropas para a guerra afegã. Cada país europeu (excluindo micro-Estados) excepto o Chipre, em parte devido à sua situação de divisão e à oposição turca, é um membro da NATO ou está envolvido em programas de parceria. As ex-Repúblicas Soviéticas e Jugoslavas, Arménia, Azerbaijão, Bósnia, Macedónia, Moldávia e o Montenegro (a nação mais recente – e universalmente reconhecida) avançaram com Planos Individuais de Acção em Parceria e a Geórgia e a Ucrânia desenvolveram Programas Nacionais Anuais para a integração na Aliança. Os EUA subjugaram a Europa através da NATO.

Com o lançamento do Comando Africano norte-americano em 1 de Outubro de 2008, o Pentágono consolidou as parcerias individuais e multilaterais com quase todos os países do continente, principalmente, num esforço de diminuir as influências chinesa e russa.

No Médio Oriente seguiu-se o mesmo padrão, apenas o Irão e a Síria não foram incluídos na rede militar do Pentágono e da NATO (através do Diálogo do Mediterrâneo e da Iniciativa de Cooperação de Istambul). O Iraque, o Kuwait e a Jordânia receberam as forças da NATO e os Estados do Golfo Pérsico, Bahrein, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EAU), são parceiros militares dos EUA e do bloco militar Atlântico Norte. Os EAU, o Bahrein, a Jordânia e o Egipto forneceram pessoal militar para a guerra afegã.

Desenvolvimentos nos últimos doze anos puseram em dúvida a capacidade de Washington de controlar a parte sul do Hemisfério Ocidental, e em 2008, o Pentágono reactivou a sua Quarta Frota (que tinha sido desmantelada em 1950) para o Mar das Caraíbas e para a América Central e do Sul como resposta dos EUA à crescente independência na política externa que vários Estados da região adoptaram.

O ano de 2010 assinala o regresso de Washington à Ásia e, particularmente, a acções concertadas e engendradas para desafiar o seu maior rival económico do mundo: a China.

Actualmente, o Pentágono está a conduzir jogos de guerra em larga escala na Coreia do Sul, o segundo maior exercício conjunto no último mês, e no dia 18 de Agosto, o porta-voz do Departamento da Defesa, Bryan Whitman, anunciou que os EUA vão realizar manobras anti-submarinos com a Coreia do Sul no Mar Amarelo, o qual faz fronteira com o território chinês a norte e a ocidente.

Whitman mencionou que “o último exercício militar, planeado para o início de Setembro, ocorreu no seguimento de uma visita de Gates (Secretário da Defesa) e da Secretária de Estado, Hillary Clinton, a Seul no mês passado.” 3

Nas últimas semanas, têm surgido uma série de comentários na imprensa chinesa sobre a crescente presença militar norte-americana no Nordeste Asiático e no sul do Mar da China. 4 O tom de muitos deles, muitas vezes escritos por altas patentes militares e estrategos, não é ouvido desde a Guerra Fria.

Certos termos que aparecem nos artigos incluem demonstração de força, situações de risco, hegemonia, unilateralismo, tácticas de bullying, mentalidade Guerra Fria, super máquina de guerra e NATO asiática.

Um artigo recente do Global Times intitulado “Sonhos de um império como armadilha para as potência modernas” (“Dreams of empire a trap for modern powers”) relevou que os jogos de guerra, agora mensais, dos EUA em ambos os lados da Península Coreana – no Mar Amarelo e no Mar do Japão – são “definitivamente dirigidos à China,” e que Washington está a tentar reclamar a sua esfera de influência no Este da Ásia depois de sete anos de envolvimento no Iraque (em breve, o mesmo será também verdade para a América Latina) e está a “enviar uma lembrança” do seu poder militar na região. Contudo, o texto dizia ainda que “a China e a Rússia são ambas incapazes de aceitar tais pretensões. Os vários exercícios militares da China e manobras de larga-escala da Rússia são as respostas estratégicas à 'lembrança estratégica' dos EUA”. 5

A mesma publicação escrevia a 18 de Agosto: “O Pentágono, perante as pressões orçamentais devido à crise económica, quer naturalmente manter a China como uma ameaça militar duradoura.

“Os EUA continuam a exercitar o seu músculo militar ao rodear a China com as suas bases militares, iniciando uma guerra no vizinho Afeganistão e continuando a vender armas a Taiwan.” 6

Continuando no mesmo tom, um editorial do People's Daily disse que “ao dar livre acesso ao porta-aviões USS George Washington ao Mar Amarelo e ao Sul do Mar da China, os EUA parecem dizer ao mundo que a [região] Ásia- Pacífico e o Oceano [Pacífico] ainda são dominados pelos norte-americanos.” 7

O China Daily noticiou que os analistas comentaram recentemente que “as águas perturbadas à volta da China reflectem as mudanças na paisagem política entre a China e os EUA e estão a lançar as fundações para uma futura luta asiática pelo poder.” Shi Yinhong, um académico de Estudos Americanos na Universidade Renmin baseada em Pequim, afirmou que “os EUA possuem vantagens militares a longo-prazo para os seus ideais hegemónicos.”

A mesma peça dizia sobre a ameaça de os EUA colocarem o super porta-aviões USS George Washington – o qual “cruzou as águas ao redor da China, cobrindo quase 2.000 milhas náuticas na Ásia Oriental nos últimos dois meses” incluindo o Sul do Mar da China – perto da costa nordeste chinesa, “Pequim está dentro do alcance do porta-aviões nuclear no Mar Amarelo.” 8

O People's Daily declarou acerca do pretexto que Washington utiliza para a sua crescente, presumível e permanente intrusão militar na área, o afundamento de um navio de guerra sul-coreano há quase cinco meses: “Os EUA fizeram do incidente Cheonan um grande problema ao proceder a exercícios conjuntos para voltar a controlar a situação no Nordeste Asiático. Também tirou vantagem das... atitudes do Fórum Regional da ASEAN e de alguns países deste grupo, e jogaram a chamada 'ameaça' [chinesa] para apressar o seu regresso ao Sudoeste Asiático... À luz da recente demonstração no sul do Mar da China, a intensificação das acções parecem mais ser uma demonstração de força do que um reacção a um incidente particular.” 9

A análise chinesa dos eventos de 18 de Agosto apresenta os desenvolvimentos discutidos anteriormente num contexto histórico e geopolítico conciso:

“A intervenção norte-americana nas disputas do sul do Mar da China não é incidental. É o resultado da estratégia 'regresso à Ásia' da administração de Barack Obama. Alguns analistas norte-americanos argumentam que a China expandiu a sua influência no Sudeste Asiático enquanto os EUA estavam centrados na 'guerra ao terrorismo' após os ataques do 11 de Setembro. A lógica é simples: qualquer potencial desafiador de Washington na Eurásia deve tornar-se um alvo para a estratégia global dos EUA... Ao envolver-se nas disputas no sul do Mar da China e encorajar problemas entre a China e os seus vizinhos, Washington quer conter Pequim e voltar a estabelecer a sua hegemonia global.” 10

O que está em causa nos mares junto às costas das Coreias e no sul do Mar da China é mais do que o afundamento do Cheonan no dia 26 de Março e mais do que a Ásia Oriental.

A observação de que os EUA não tolerarão nenhum concorrente ou futuro rival na Eurásia, e que o controlo desse vasto território, desde o Atlântico Este até ao Pacífico Ocidental, é a chave para a dominação global, não é um vocabulário que se ouve com frequência na China. É antes associado a Zbigniew Brzezinski em anos recentes. Este foi respeitado pelo gigante asiático quando era Conselheiro de Segurança Nacional na Administração Carter, dirigindo a política externa norte-americana nas costas do Secretário de Estado, Cyrus Vance, quando Washington transferiu o reconhecimento diplomático de Taiwan para a República Popular da China em 1 de Janeiro de 1979.

No seu livro “O Grande Tabuleiro de Xadrez: Primazia Americana e os seus Imperativos Geoestratégicos” (“The Grand Chessboard: American Primacy and its Geostrategic Imperatives”) de 1998, Brzezinski regozijou-se triunfantemente que “a derrota e o colapso da União Soviética foi o passo final para uma rápida ascensão de uma potência do Hemisfério Ocidental, os EUA, como única e, de facto, a primeira verdadeiramente global.” 11

Os líderes chineses, primeiro cortejados por Richard Nixon e Henry Kissinger em 1972, viram Brzezinski como o mais responsável por enfraquecer o principal adversário de Pequim e Washington na altura, a União Soviética, com o apoio de forças anti-soviéticas desde o Afeganistão até à Polónia, minando os aliados de Moscovo em África, no Médio Oriente e no Sudeste Asiático.

No entanto, estando a URSS fora do caminho em 1991, os representantes chineses deveriam ter percebido que o primeiro e verdadeiro poder global iria, mais cedo ou mais tarde, bater às suas portas. Levou quase duas décadas, mas está a acontecer.

O que não significa que eles não tenham sido avisados.

A frase de abertura da introdução de Brzezinski ao Grande Tabuleiro de Xadrez, diz o seguinte: “Desde que os continentes começaram a interagir politicamente entre si há cerca de 500 anos atrás, a Eurásia tem sido o centro do poder.”

Na introdução do livro e na sua segunda secção, “O Tabuleiro de Xadrez Euroasiático,” o geoestratega de estilo próprio, normalmente inserido (ou talvez no seu topo) nos chamados realistas da política externa americana, fornece alegações arrebatadoras e grandiosas, sintomáticas de um individualismo agudo assim como uma megalomania nacional.

Os seus comentários incluem:

“Para a América, o principal prémio geopolítico é a Eurásia. Durante meio milénio, os assuntos planetários foram dominados pelas potências e pelos povos euroasiáticos que lutaram uns contra os outros pela dominação regional e tentaram atingir o poder global. Agora, uma potência não-euroasiática é proeminente na Eurásia – e a primazia global americana é directamente dependente de quanto tempo e o quão eficiente é essa preponderância no continente euroasiático.”

“Como a América 'gere' a Eurásia é crítico. Uma potência que domine a Eurásia, controlaria duas das três regiões mais avançadas e economicamente produtivas. Um mero olhar para o mapa sugere igualmente que o controlo sobre esta parte do mundo implicaria quase automaticamente a subordinação de África, tornando o Hemisfério Ocidental e a Oceânia periféricos relativamente ao continente central. Cerca de 75% da população mundial vive na Eurásia e a maior parte das riquezas do planeta estão também ali, tanto nas empresas como no seu subsolo. A Eurásia contém cerca de três quartos do reservas de energia conhecidas.”

Mais importante ainda para a situação actual, Brzezinski declarou audaciosamente que “a América é agora o árbitro da Eurásia, sem que nenhum dos grandes problemas possa ser resolvido sem a participação norte-americana ou possam ser solucionados de forma contrária aos seus interesses.”

“Todos os potenciais desafiadores políticos e/ou económicos da primazia americana são euroasiáticos. Cumulativamente, o poder da Eurásia eclipsa bastante o da América. Felizmente para esta, aquela é demasiado grande para ser politicamente una.

“A Eurásia é assim o tabuleiro de xadrez é onde a luta pela supremacia global se vai desenrolar.”

Estando o governo russo a ceder a Washington ponto por ponto – incluindo a colocação de tropas aéreas, terrestres e navais dos EUA e da NATO, de interceptores de mísseis, exercícios, bases e instalações nos Mares Báltico e Negro, no Sul do Cáucaso e na Ásia Central – a Índia tendo sido recrutada, ainda que não formalmente, para a versão Ásia-Pacífico da NATO, a China torna-se no principal “potencial desafiador político e/ou económico” na Eurásia e, portanto, do mundo.

Não é um caso de a China escolher esse papel, pois já lhe foi atribuído de qualquer maneira. Por mais nenhuma razão além do seu poder económico, do seu tamanho e da sua localização.

Como Brzezinski disse há mais de doze anos atrás, “A forma como a América lida com as complexas relações de poder euroasiáticas – e particularmente, se previne ou não a emergência de um potência dominante e antagónica – continua a ser central para a sua capacidade de exercer a supremacia global.”

Os EUA estão a reagir ao crescimento da China através do deslocamento da inigualável máquina militar para a vizinhança deste, e da consolidação de uma NATO asiática para rodear o gigante chinês da mesma forma que bloco militar original, que tem agora um âmbito global, o faz à Rússia.

Esperar outra coisa qualquer é ser inveteradamente ingénuo ou, como o auto-proclamado comandante-em-chefe da única potência militar mundial, Barack Obama, apelidou recentemente o seu homólogo chinês, ser cego de propósito. 12

Tradução inglês/português de Sofia Gomes para esquerda.net

Artigo publicado a 19 de Agosto de 2010 em Stop NATO http://rickrozoff.wordpress.com/2010/08/19/2353/


1 Wall Street Journal, 18 de Agosto de 2010

2 Desenvolvimentos Militares de Segurança que Envolvem a República Popular da China 2010. http://www.defense.gov/pubs/pdfs/2010_CMPR_Final.pdf

3 Reuters, 18 de Agosto de 2010

4 Part II: US-China Crisis : Beyond Words To Confrontation, Stop NATO, 17 de Agosto de 2010 http://rickrozoff.wordpress.com/2010/08/17/part-ii-u-s-china-crisis-beyond-words-toward-confrontation

5 Global Times, 15 de Agosto de 2010

6 Global Times, 18 de Agosto de 2010

7 People’s Daily, 17 de Agosto de 2010

8 China Daily, 18 de Agosto de 2010

9 People’s Daily, 17 de Agosto de 2010

10 Xinhua News Agency/China Daily 18 de Agosto de 2010

11 O Grande Tabuleiro de Xadrez: Primazia Americana e os seus Imperativos Geoestratégicos http://sandiego.indymedia.org/media/2006/10/119973.pdf

12 Obama Doctrine: Eternal War For Imperfect Mankind Stop NATO, 10 de Dezembro de 2009 http://rickrozoff.wordpress.com/2009/12/11/obama-doctrine-eternal-war-for-imperfect-mankind

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